Papa Francisco enaltece voluntários e reflete sobre tentações durante o Jubileu do Voluntariado

Centenas de voluntários do mundo inteiro se reuniram na Praça de São Pedro para a missa. Crédito: Daniel Ibañez/EWTN News.

No contexto do Jubileu do Mundo do Voluntariado, um dos grandes eventos do Ano Santo de 2025, o papa Francisco expressou sua gratidão aos voluntários que dedicam suas vidas ao serviço dos mais necessitados. Em uma homilia preparada durante sua internação no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma, o pontífice destacou a importância do trabalho voluntário como sinal de esperança e renovação para a sociedade.

“Nas ruas e nas casas, ao lado dos doentes, dos que sofrem, dos encarcerados, com os jovens e os idosos, a vossa dedicação infunde esperança em toda a sociedade”, ressaltou Francisco na mensagem, lida pelo cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, durante a celebração na Praça de São Pedro.

O papa enfatizou que a generosidade dos voluntários se assemelha ao próprio serviço de Cristo, que se entregou sem buscar benefícios próprios. Ele comparou esse compromisso altruísta a um jardim de humanidade renovada, onde pequenos gestos de amor e serviço fazem florescer a esperança, mesmo em meio às dificuldades.

Reflexão sobre as tentações no deserto

Na homilia, Francisco também refletiu sobre a passagem do Evangelho de Lucas que relata as tentações de Jesus no deserto. Ele explicou que esse período foi um momento decisivo, no qual o silêncio se transformou em uma escuta profunda, diante da necessidade de escolher entre vozes opostas.

“O Espírito Santo conduz Jesus ao deserto, onde ele experimenta a miséria material e espiritual, a necessidade de pão e de palavra. Ali, ele é tentado pelo diabo por quarenta dias”, afirmou o papa.

Francisco destacou que a tentação continua presente nos dias de hoje, tentando corromper a liberdade humana e semear a dúvida. No entanto, Cristo não apenas serve de modelo na luta contra o mal, mas também fortalece os fiéis para que possam resistir e perseverar no caminho da fé.

O papel do diabo e a força da fé

O papa alertou que o diabo atua para dividir, enquanto Jesus busca unir Deus e os homens. “O mal precede a nossa liberdade, corrompe-a por dentro, como uma sombra constante”, explicou, enfatizando que Deus está sempre próximo, especialmente nos momentos de provação e dúvida.

“Ao contrário do tentador, que distorce a palavra de Deus, Cristo nos mostra que a relação filial com o Pai não é um privilégio, mas um dom oferecido a todos para a nossa salvação”, reiterou o pontífice.

Francisco também apontou que as forças malignas tentam convencer os fiéis de que Deus os abandonou, fazendo-os duvidar de sua presença. Entretanto, assegurou que, mesmo diante das dificuldades e das guerras que assolam o mundo, Deus se aproxima ainda mais da humanidade, entregando sua vida pela redenção.

A tentação não é definitiva

O pontífice lembrou que a vitória sobre a tentação começou no deserto, mas só foi plenamente consumada na Páscoa, através da morte e ressurreição de Cristo. Ele também reconheceu que todos os seres humanos são pecadores e podem cair em tentação, mas destacou que a misericórdia divina sempre estará disponível para erguer aqueles que se arrependem.

“Cada queda pode ser superada pelo perdão de Deus, que é infinito em amor. Nossa provação não termina em fracasso, pois Cristo nos redimiu. Acompanhando o Senhor com fé, deixamos de ser errantes e nos tornamos peregrinos rumo à salvação”, concluiu a mensagem.

O Jubileu do Voluntariado reuniu centenas de voluntários de todo o mundo em Roma, reforçando a importância do serviço ao próximo como um reflexo do amor divino e um testemunho vivo da fé cristã.