
Na manhã desta segunda-feira (3), o Papa Leão XIV presidiu, na Basílica de São Pedro, a missa em sufrágio do Papa Francisco e dos cardeais e bispos falecidos ao longo do ano, dentro da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Foi a primeira celebração de Finados do pontífice desde o início de seu pontificado.
Logo no início da homilia, Leão XIV expressou emoção ao recordar seu predecessor:
“Com grande afeto, a oferecemos pela alma eleita do Papa Francisco, que faleceu após abrir a Porta Santa e conceder a Bênção Pascal a Roma e ao mundo. Graças ao Jubileu, esta celebração, para mim, a primeira, adquire um sabor especial: o sabor da esperança cristã.”
O Papa destacou que a Palavra de Deus ilumina o mistério da vida e da morte, tendo como símbolo o caminho dos discípulos de Emaús, narrado no Evangelho de São Lucas. Para ele, essa passagem representa a peregrinação da esperança, que nasce do encontro com o Cristo ressuscitado mesmo diante da dor e do desânimo.
“O ponto de partida é a experiência da morte, e em sua pior forma: a morte violenta que mata o inocente. Quantas pessoas, quantas crianças, ainda hoje sofrem o trauma dessa morte terrível, desfigurada pelo pecado”, lamentou.
Uma esperança nova e pascal
Leão XIV explicou que a morte não pode ser motivo de louvor, mas de redenção, pois Deus enviou Seu Filho para libertar a humanidade dela.
“Cristo precisava sofrer essas coisas para entrar em sua glória e nos dar a vida eterna. Só Ele possui palavras de vida eterna”, afirmou o Papa, acrescentando que essa verdade reacende a fé e a esperança diante do túmulo de São Pedro.
Ao relembrar o gesto de Jesus em Emaús, quando parte o pão diante dos discípulos, o Santo Padre destacou o nascimento de uma esperança transformada pela Ressurreição:
“Não é mais a esperança que tinham antes e haviam perdido. É uma nova realidade, um dom, uma graça do Ressuscitado: é a esperança pascal.”
Esperança que vai além do horizonte humano
Em outro trecho, Leão XIV explicou que a esperança cristã não se baseia na sabedoria humana nem na justiça da lei, mas unicamente na vitória de Cristo sobre a morte:
“É uma esperança que não olha para o horizonte terreno, mas para além, para Deus, para aquela altura e profundidade de onde o Sol se elevou para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte.”
O Papa afirmou que, graças ao amor de Cristo, a morte deixou de ser inimiga e tornou-se irmã, ecoando as palavras de São Francisco de Assis.
“Mesmo diante da morte, não nos entristecemos como aqueles que não têm esperança. Ficamos comovidos, sim, mas com a certeza de que nem a morte mais trágica pode impedir o Senhor de acolher em Seus braços nossa alma e transformar nosso corpo mortal à imagem de Seu corpo glorioso.”
O testemunho do Papa Francisco
Encerrando a homilia, Leão XIV recordou o exemplo do Papa Francisco e dos pastores falecidos ao longo do último ano:
“O amado Papa Francisco e nossos irmãos cardeais e bispos viveram, testemunharam e ensinaram esta esperança nova, pascal. O Senhor os chamou e os designou como pastores de sua Igreja, e por meio de seu ministério conduziram muitos à justiça, guiando-os no caminho do Evangelho.”
O Papa concluiu a celebração com uma prece pelos falecidos:
“Que suas almas sejam purificadas de toda mancha e brilhem como estrelas no céu. E que a nós, ainda peregrinos na terra, chegue, no silêncio da oração, o seu encorajamento espiritual.”



