Orelhões começam a ser retirados e Pernambuco ainda mantém 236 aparelhos obrigatórios em 79 cidades

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Os tradicionais orelhões, que durante décadas foram símbolo de comunicação nas ruas do Brasil, começaram a entrar oficialmente em processo de retirada. A desativação dos telefones públicos foi autorizada e seguirá de forma gradual, com prazo final definido: até 31 de dezembro de 2028.

Em Pernambuco, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que ainda existem 236 orelhões obrigatórios distribuídos em 79 municípios, com maior concentração no Interior do estado. Do total, 138 aparelhos estão ativos e 98 aparecem em manutenção, de acordo com o levantamento consolidado até 31 de dezembro de 2025.

A permanência desses equipamentos atende a uma regra nacional: mesmo com o avanço da telefonia móvel e da internet, os orelhões seguem sendo exigidos em pontos estratégicos onde o acesso à comunicação ainda é limitado, principalmente em áreas de baixa cobertura de sinal.

Retirada será gradual e focada nas áreas com melhor conectividade

A nova fase marca o encerramento de um serviço que se tornou cada vez menos utilizado, mas que ainda tem importância em regiões com dificuldades de conectividade. A retirada dos equipamentos deve ocorrer primeiro nos grandes centros urbanos, onde o uso foi praticamente substituído por celulares, aplicativos e redes digitais.

Já nas áreas mais distantes, especialmente em localidades sem cobertura adequada de internet móvel, os orelhões continuam sendo considerados uma alternativa mínima de acesso à comunicação, garantindo que a população não fique totalmente desconectada.

Um símbolo urbano que marcou gerações

Os orelhões foram implantados em larga escala no Brasil e tiveram seu auge entre os anos 1980 e início dos anos 2000, quando eram usados para ligações rápidas, chamadas de emergência e contato com familiares. Com o tempo, deixaram de ser prioridade por causa da popularização dos celulares, da internet e do custo de manutenção.

Agora, com um prazo definitivo para o encerramento, o país entra na reta final de um ciclo histórico: o fim dos orelhões como serviço público essencial. Até lá, estados como Pernambuco ainda seguem com uma rede mínima obrigatória, principalmente no interior, onde a conectividade ainda não alcança todos da mesma forma.

O que muda na prática

Com o início da retirada neste mês, a tendência é que a quantidade de aparelhos reduza gradualmente em todo o estado. A expectativa é de que as cidades com maior infraestrutura digital sejam as primeiras a perder os equipamentos, enquanto os municípios com cobertura precária devem manter parte dos orelhões ativos até o fim do prazo.

A população pode acompanhar a situação e o funcionamento desses aparelhos por meio dos dados atualizados pelas operadoras e monitorados pela Anatel, que mantém controle sobre os pontos ainda obrigatórios.

Até o final de 2028, os orelhões que ainda resistem no Brasil devem se tornar, de vez, uma lembrança da era em que ligar para alguém na rua era parte da rotina.