Pernambuco amplia presença nas classes A, B e C e chega a 61,27% da população, aponta FGV

Entre 2022 e 2024, estado avançou 10,64 pontos percentuais nas faixas de maior renda; estudo atribui salto à renda do trabalho e à integração de políticas públicas

Foto: Estevam Costa/PR

Pernambuco registrou um crescimento expressivo na participação da população nas classes de maior renda. Entre 2022 e 2024, o percentual de pessoas nas classes A, B e C subiu de 50,63% para 61,27%, uma alta de 10,64 pontos percentuais, de acordo com estudo da Fundação Getulio Vargas, a FGV.

Pelos critérios citados no levantamento, a classe A reúne famílias com renda acima de 20 salários mínimos. A classe B engloba renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos. Já a classe C abrange renda familiar entre 4 e 10 salários mínimos. O avanço indica uma migração relevante para faixas com maior capacidade de consumo e estabilidade financeira.

Renda do trabalho lidera mudança

O estudo aponta que a renda gerada pelo trabalho foi um dos principais motores da transição. A leitura é que o aumento de ocupação e a melhora do rendimento puxaram parte importante desse movimento, ampliando o número de pernambucanos com renda familiar mais alta no período analisado.

Além do trabalho, o levantamento destaca o efeito combinado de políticas públicas voltadas à proteção social e à promoção de oportunidades. Entre os fatores citados aparecem programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, o BPC, e ações de acesso à educação e ao crédito, que ajudam a sustentar a trajetória de renda e a reduzir a vulnerabilidade.

Governo relaciona dados à eficácia de programas sociais

Ao comentar os resultados, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que os números reforçam o papel de políticas voltadas à população de baixa renda como ponte para a ascensão social.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, disse: “A gente vê pessoas que estavam no Cadastro Único, no Bolsa Família, e que agora estão na classe média. Isso mostra que o programa não é só transferência de renda. Ele abre portas para a educação, para o trabalho e para o empreendedorismo”.

Cenário nacional também indica avanço

No recorte do Brasil, o mesmo estudo da FGV indica que 17,4 milhões de pessoas saíram da pobreza e passaram a integrar classes de maior renda entre 2022 e 2024, o que representa um aumento de 8,44 pontos percentuais no período. A avaliação do levantamento é que a integração de políticas, somada à expansão da renda do trabalho, ajudou a acelerar essa mudança em várias regiões.

Em Pernambuco, o avanço para 61,27% nas classes A, B e C reforça o peso do mercado de trabalho e do desenho de programas sociais na movimentação das faixas de renda. O dado também amplia o debate sobre como manter essa trajetória, com emprego, qualificação e renda sustentáveis, para consolidar a melhora de padrão de vida no estado.