CPI do Fura-Fila avança na Câmara do Recife e provoca reação de João Campos e movimento político envolvendo Raquel Lyra

Foto: Paulo Brito

CPI do “Fura-Fila”: origem, motivo e instalação

O pedido de instalação da CPI conhecida como “CPI do Fura-Fila” foi protocolado na Câmara Municipal do Recife após a oposição conseguir as 13 assinaturas necessárias para abertura da investigação. A comissão vai apurar a polêmica nomeação de um candidato ao cargo de procurador do município no concurso realizado em 2022.

A controvérsia começou com a reclassificação de um candidato que havia ficado na 63ª posição na ampla concorrência. Anos após o certame, ele apresentou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista e passou a pleitear enquadramento nas vagas destinadas a pessoas com deficiência. A mudança resultou na nomeação dele e na exclusão do candidato que ocupava a primeira posição na lista de PCD, que aguardava convocação havia mais de dois anos.

O requerimento da CPI é de autoria do vereador Thiago Medina, do PL, e cita o prefeito João Campos e o procurador-geral do município, Pedro Pontes. A Prefeitura do Recife afirma que se trata de uma controvérsia jurídica e sustenta que o procedimento está amparado em interpretação legal sobre direitos da pessoa com deficiência.

A articulação para alcançar as assinaturas foi intensa nos bastidores. A última assinatura necessária para atingir o número mínimo foi a do vereador Osmar Ricardo, do PT. Ele se tornou peça central do episódio, pois sua adesão garantiu a formalização do pedido e permitiu que a CPI fosse oficialmente protocolada. Sem a assinatura de Osmar, a comissão não teria sido instalada.

Com o protocolo feito, a próxima etapa é a instalação formal da CPI, com definição de presidente, relator e membros. A comissão terá poderes para convocar testemunhas, requisitar documentos e analisar todos os atos administrativos relacionados à reclassificação e nomeação questionadas. Ao final, será elaborado um relatório com possíveis encaminhamentos administrativos ou judiciais, caso sejam identificadas irregularidades.

A resposta de João Campos: exoneração de Marco Aurélio e saída de Osmar da Câmara

A assinatura de Osmar Ricardo teve consequência imediata no cenário político da Câmara. Poucas horas depois, o prefeito João Campos exonerou Marco Aurélio, do PV, do cargo que ocupava no secretariado municipal, permitindo que ele reassumisse o mandato de vereador.

A medida teve efeito direto sobre Osmar Ricardo. Como ele é o primeiro suplente da Federação PT/PV, a volta de Marco Aurélio ao Legislativo fez com que Osmar perdesse a vaga e retornasse à condição de suplente. O movimento foi interpretado por aliados da oposição como uma resposta política à decisão de Osmar de assinar o pedido de CPI.

Os três parlamentares fazem parte da mesma federação partidária. Marco Aurélio é do PV e aliado de João Campos. Osmar é do PT e vinha se aproximando politicamente da governadora Raquel Lyra nas últimas semanas, o que também ampliou o peso político do gesto dele ao apoiar a CPI.

O movimento envolvendo Raquel Lyra e a possível volta de Osmar

Em meio à disputa municipal, surgiu um novo capítulo. A governadora Raquel Lyra deve nomear ainda esta semana a vereadora Flávia de Nadegi, também do PV, para um cargo no governo estadual.

Flávia pertence à mesma federação PT/PV. Diferentemente de Marco Aurélio, ela tem alinhamento político com Raquel Lyra. Caso a nomeação seja confirmada, a vaga aberta na Câmara permitirá que Osmar Ricardo retorne ao mandato, já que ele é o primeiro suplente da federação.

O cenário expõe um jogo político complexo. Marco Aurélio, aliado do prefeito, voltou à Câmara e provocou a saída de Osmar. Flávia, ligada à governadora, pode deixar o Legislativo e abrir espaço para que Osmar reassuma. O episódio amplia a tensão entre os grupos políticos que orbitam João Campos e Raquel Lyra, principais nomes no cenário eleitoral estadual.

Enquanto isso, a CPI segue seu curso e deve se tornar o principal foco de debate político na Câmara do Recife nas próximas semanas.