Pontífice manifestou profunda dor pelas vítimas civis da nova escalada militar e destacou o sacrifício do sacerdote Pierre El Rahi, morto ao tentar socorrer um paroquiano ferido

O Papa Leão XIV manifestou profunda dor diante da nova onda de bombardeios no Oriente Médio e fez um apelo urgente pelo fim das hostilidades na região. Em mensagem divulgada pela Santa Sé, o pontífice lamentou a morte de civis, inclusive de muitas crianças, e citou de forma especial o padre maronita Pierre El Rahi, morto no sul do Líbano enquanto tentava salvar um paroquiano ferido.
De acordo com informações divulgadas por veículos ligados à Igreja e confirmadas por fontes católicas, o sacerdote foi atingido na localidade de Qlaya, no sul libanês, após correr para prestar socorro a um morador ferido em um primeiro ataque. No momento em que ajudava no resgate, um novo bombardeio atingiu o local. Ferido, padre Pierre El Rahi ainda foi levado a um hospital da região, mas não resistiu.
Na nota divulgada pelo Vaticano, Leão XIV afirmou acompanhar os acontecimentos com preocupação e rezar por um fim rápido dos confrontos. A mensagem do papa reforça a inquietação da Santa Sé com a ampliação da violência em vários pontos do Oriente Médio, em meio ao temor de que o conflito se torne ainda mais amplo e arraste outros países para uma espiral de instabilidade.
A morte do sacerdote causou forte comoção entre cristãos libaneses e organizações católicas internacionais. Padre Pierre El Rahi era pároco maronita em Qlaya e era visto como uma referência para a comunidade local, num momento em que milhares de pessoas vivem sob medo constante, deslocamento forçado e destruição provocada pelos ataques. Relatos recentes apontam que a população civil do sul do Líbano enfrenta uma deterioração acelerada da segurança, com escolas fechadas, famílias em fuga e hospitais se preparando para atender vítimas em massa.
Dias antes, o próprio papa já havia alertado, durante o Angelus de 8 de março, para o avanço de um “clima de ódio e medo” em todo o Oriente Médio. Na ocasião, Leão XIV pediu que “cesse o barulho das bombas”, que “se calem as armas” e que se abra espaço para o diálogo e para a voz dos povos, mencionando de forma explícita a preocupação com a situação do Líbano.
Em outra manifestação pública, o pontífice voltou a insistir que a paz não será construída com ameaças mútuas nem com o uso de armas, mas com diálogo verdadeiro e soluções sem violência. O novo apelo ganha ainda mais peso com a morte de um padre que, segundo relatos da própria Igreja, permaneceu ao lado de seu povo mesmo em meio ao agravamento dos ataques.
O episódio reacende o alerta sobre o impacto direto da guerra sobre civis e religiosos. No caso de padre Pierre El Rahi, a tragédia carrega um simbolismo ainda maior: ele não morreu em combate nem em fuga, mas enquanto tentava salvar outra pessoa. Para a Igreja, o gesto resume o drama de uma região em que a população civil continua pagando o preço mais alto da guerra.
No centro da manifestação do Vaticano está um apelo claro: interromper imediatamente a violência antes que o Oriente Médio mergulhe numa crise ainda mais devastadora. Ao lamentar a morte do sacerdote e das demais vítimas, Leão XIV volta a posicionar a Santa Sé como voz de denúncia contra a guerra e de defesa dos inocentes atingidos pelos bombardeios.



