Sob forte comoção, multidão se despede de Padre Romeu Gusmão da Fonte

Velório começou ainda na madrugada desta segunda (23), na Matriz da Torre, teve missas ao longo do dia, celebração das exéquias presidida por Dom Paulo Jackson, cortejo em carro aberto e encerrou com a cremação do sacerdote

Foto: Captura/Instagram

A segunda-feira (23) foi de comoção, fé e gratidão para milhares de fiéis que se reuniram no Recife para se despedir de monsenhor Romeu Gusmão da Fonte. Um dos nomes mais marcantes da história da Arquidiocese de Olinda e Recife, o sacerdote recebeu homenagens ao longo de todo o dia na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, no bairro da Torre, na Zona Norte do Recife, onde construiu a maior parte de sua missão pastoral.

Desde a madrugada, a Matriz da Torre já recebia paroquianos, amigos, religiosos e admiradores que chegaram para prestar as últimas homenagens. O velório foi marcado por um fluxo constante de fiéis, muitos emocionados diante da despedida de um padre que acompanhou gerações no Recife.

Ao longo do dia, a programação contou com missas e momentos de oração, além de um cortejo em carro aberto, que marcou um dos momentos mais simbólicos da despedida. O percurso foi acompanhado por aplausos, orações e forte emoção nas ruas, refletindo a ligação profunda entre monsenhor Romeu e o povo.

O ponto alto da despedida foi a última missa das exéquias, realizada na quadra da paróquia, reunindo uma multidão. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson, com a concelebração dos bispos auxiliares e a presença de todo o clero arquidiocesano, em um gesto de unidade e reconhecimento ao legado do sacerdote.

Durante a homilia, Dom Paulo Jackson destacou a dimensão espiritual da vida de monsenhor Romeu e afirmou que ele foi “a mão misericordiosa de Deus aqui na terra”, resumindo o testemunho de uma vida inteira dedicada ao cuidado pastoral e ao serviço ao povo de Deus.

A celebração também contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o prefeito do Recife, João Campos, a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, além de parlamentares e outras personalidades públicas, demonstrando o alcance do trabalho desenvolvido pelo sacerdote ao longo de décadas.

Entre os depoimentos, o vereador do Recife e líder da oposição na Câmara Municipal, Felipe Alecrim, paroquiano da Torre e próximo de monsenhor Romeu, destacou a dimensão do legado deixado. Segundo ele, o sacerdote foi “um grande exemplo de serviço e missão, transformando a vida de milhares de pessoas, inclusive a minha e da minha família”.

Ao longo do dia, autoridades civis e eclesiais também manifestaram pesar e gratidão pelas redes sociais. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, o vice-prefeito de Olinda, Chiquinho, além de diversas lideranças políticas e religiosas, prestaram homenagens públicas. O Clube Náutico Capibaribe, time do coração de monsenhor Romeu, também publicou uma homenagem oficial, destacando a ligação afetiva do sacerdote com o clube.

Após as homenagens e a celebração das exéquias, o corpo de monsenhor Romeu seguiu em carro aberto do Corpo de Bombeiros para cremação no cemitério Morada da Paz em Paulista, Região metropolitana do Recife, com a presença de familiares e amigos, encerrando um dia histórico para a Igreja em Pernambuco. A despedida foi marcada não apenas pela dor da perda, mas pela certeza de que permanece viva a memória de um sacerdote que dedicou toda a vida ao Evangelho.

Monsenhor Romeu Gusmão da Fonte / Foto: Paulo Brito

Monsenhor Romeu morreu aos 96 anos. Nascido em 13 de maio de 1929, foi ordenado sacerdote em junho de 1954 e assumiu a Paróquia da Torre em 1958, onde permaneceu por mais de seis décadas, tornando-se o padre mais longevo em atividade na Arquidiocese de Olinda e Recife.

Ao longo da vida, realizou milhares de sacramentos e desenvolveu um trabalho social que transformou a realidade de muitas famílias, especialmente na Zona Norte do Recife. Mais do que números, deixa um legado de fé, proximidade e serviço.

Com a cremação, a Arquidiocese se despede fisicamente de um de seus maiores sacerdotes. Permanece, porém, uma história que continuará viva na memória da Igreja e do povo recifense, marcada por uma vida inteira dedicada a Deus e aos irmãos.