Casos de abandono, retirada de peças e desrespeito às regras acendem alerta sobre a operação experimental na capital

Poucos dias depois da volta dos patinetes elétricos compartilhados ao Recife, o serviço já passou a enfrentar problemas que preocupam usuários, empresas e poder público. Registros de equipamentos abandonados em vias públicas, relatos de furto de baterias e vídeos com uso irregular começaram a circular nas redes sociais e reacenderam o debate sobre segurança, fiscalização e ordenamento urbano.
O sistema foi lançado pela Prefeitura do Recife em 22 de março, em fase experimental, dentro do programa EITA! Labs. Nesta etapa inicial, a operação conta com cerca de 90 pontos de estacionamento distribuídos em 19 bairros, entre eles Boa Viagem, Pina, Bairro do Recife, Boa Vista, Graças, Aflitos, Casa Forte, Jaqueira, Torre, Madalena e Derby. A gestão municipal informou que a operação pode chegar a mais de mil patinetes em circulação, a depender dos resultados do período de testes.
Mas a retomada do serviço já começou sob pressão. Em apenas uma semana de operação, vídeos nas redes sociais flagraram patinetes largados na rua, equipamentos sem bateria e circulação em desacordo com as regras. Entre os problemas apontados estão o uso em dupla, velocidade excessiva em áreas de pedestres e abandono dos veículos em locais inadequados, inclusive nas margens de canais.
O cenário reforça um temor que já existia desde a primeira passagem dos patinetes pela capital, em 2019. Na época, o serviço também enfrentou dificuldades ligadas a vandalismo, furtos e à falta de infraestrutura adequada para circulação, como ciclovias e ciclofaixas suficientes. Na avaliação de especialistas em mobilidade, o retorno do modal ainda esbarra nos mesmos desafios urbanos, agora somados ao comportamento inadequado de parte dos usuários.
Segundo a Prefeitura, o modelo adotado no Recife conta com mecanismos de controle, como geolocalização em tempo real, limitação automática de velocidade em determinadas áreas e bloqueio da circulação fora das zonas autorizadas. O encerramento das viagens também só pode ser feito em pontos específicos de estacionamento. Mesmo assim, a própria gestão reconhece que ainda não há um balanço consolidado sobre ocorrências de abandono ou vandalismo, porque a operação está em fase muito inicial.
As regras do serviço determinam que os patinetes só podem ser usados por maiores de 18 anos, de forma individual, sem consumo de álcool e respeitando as áreas permitidas de circulação. O uso deve ocorrer em ciclovias, ciclofaixas e vias adequadas, com atenção aos limites de velocidade e ao convívio com pedestres e motoristas.
A nova onda de ocorrências também tem gerado insatisfação entre usuários, especialmente quando há restrições de circulação ou ajustes operacionais feitos pelas empresas para tentar proteger a frota e reduzir perdas. Embora a Prefeitura ainda trate o projeto como experimental, o episódio já mostra que o sucesso do serviço vai depender não só da tecnologia embarcada nos patinetes, mas também de fiscalização, educação no trânsito e preservação do espaço público.
Para quem utiliza o serviço, a orientação segue sendo a mesma: respeitar as regras, estacionar apenas nos pontos autorizados e usar o equipamento como meio de transporte, não como brincadeira. A fase de testes no Recife deve durar 12 meses, período em que a Prefeitura e as operadoras vão avaliar se o sistema tem condições de se consolidar na cidade.



