Cesta básica sobe quase 7% no Recife em março e pressiona orçamento das famílias

Levantamento do Dieese em parceria com a Conab mostra que capital pernambucana teve uma das maiores altas do país, puxada principalmente pelo tomate

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O custo da cesta básica no Recife subiu 6,97% entre fevereiro e março e chegou a R$ 654,62, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Dieese em parceria com a Conab. Com esse resultado, a capital pernambucana registrou uma das maiores altas do país no período, atrás apenas de Manaus e Salvador.

O principal responsável pela pressão sobre os preços foi o tomate, que disparou 46,31% em apenas um mês no Recife. Também tiveram aumento o feijão carioca, com alta de 10,91%, além de banana, pão francês, leite integral, carne bovina de primeira e arroz agulhinha. Já óleo de soja, café em pó e açúcar cristal tiveram recuo no período.

Com a elevação do custo dos alimentos básicos, o trabalhador recifense remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 88 horas e 50 minutos para comprar a cesta do mês. Em fevereiro, eram necessárias 83 horas e 4 minutos. Na prática, isso significa um comprometimento maior da renda com itens essenciais e menos espaço no orçamento para outras despesas das famílias.

O aumento no Recife acompanha uma tendência nacional. Em março, as 27 capitais pesquisadas pelo Dieese registraram alta no valor da cesta básica. No cenário nacional, a maior elevação foi observada em Manaus, com 7,42%, e a cesta mais cara foi a de São Paulo, que atingiu R$ 883,94. O Dieese também estimou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.425,99 no mês.

Além da inflação captada na cesta básica, o mercado atacadista de hortaliças já vinha sinalizando pressão sobre o tomate em março. Boletim da Conab apontou que a alta foi intensificada pela redução da oferta, com o encerramento da safra de verão e o início ainda limitado da safra de inverno, o que provocou escassez pontual e encarecimento do produto.

No Recife, o resultado acende um alerta para o peso crescente da alimentação no orçamento doméstico, sobretudo entre as famílias de baixa renda. Com a cesta mais cara e o tempo de trabalho necessário em alta, a inflação dos alimentos segue como um dos principais desafios para o poder de compra do trabalhador.