Pontífice voltou a Roma após visitar Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, reforçando a missão da Igreja de anunciar o Evangelho e estar perto dos que sofrem

O Papa Leão XIV encerrou sua viagem apostólica à África com um forte apelo por uma cultura de paz, diálogo e reconciliação entre os povos. O pontífice retornou a Roma nesta quinta-feira, 23 de abril, após uma agenda de onze dias que passou por Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, reunindo encontros com autoridades, comunidades católicas, líderes religiosos, jovens, famílias, doentes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Durante a entrevista concedida a jornalistas no voo de retorno, o Papa voltou a defender o diálogo como caminho para evitar conflitos e criticou a lógica da violência nas relações internacionais. A mensagem ganhou ainda mais peso diante das tensões envolvendo o Irã e do risco de agravamento de novos confrontos. Para Leão XIV, a comunidade internacional precisa insistir na diplomacia, no multilateralismo e na busca de soluções que preservem vidas inocentes.
Ao longo da viagem, o pontífice também reforçou que sua missão não é política, mas evangélica. Ainda no início da visita, durante o voo para a Argélia, Leão XIV afirmou que não se vê como um líder político e que sua mensagem central é a do Evangelho, especialmente o chamado a ser construtor de paz. Ele defendeu que a Igreja deve continuar falando com firmeza contra a guerra e a favor da reconciliação.
A viagem teve como uma de suas marcas o diálogo inter-religioso. Na Argélia, terra ligada à memória de Santo Agostinho, o Papa destacou a importância de construir pontes entre povos, culturas e religiões. Nos Camarões, ele também mencionou encontros com líderes muçulmanos e defendeu a fraternidade, a compreensão mútua e a paz entre pessoas de diferentes crenças.
Leão XIV também abordou temas sociais sensíveis, como migração, desigualdade e justiça social. Em suas falas, lembrou que muitos países africanos vivem grandes oportunidades, mas também enfrentam desafios profundos, como a distribuição desigual das riquezas. O Papa defendeu uma presença da Igreja voltada para a esperança, a promoção da dignidade humana e o cuidado com os que mais sofrem.
Outro ponto destacado foi a unidade da Igreja. O pontífice afirmou que foi à África, antes de tudo, como pastor, para estar com os católicos, celebrar a fé, encorajar as comunidades locais e acompanhar a caminhada da Igreja no continente. Em diferentes momentos da viagem, ele se encontrou com bispos, sacerdotes, religiosos, agentes pastorais e fiéis, reforçando a comunhão e a missão evangelizadora.
Com o encerramento da visita, Leão XIV deixa como mensagem principal a necessidade de uma Igreja próxima, missionária e comprometida com a paz. Para o Papa, anunciar o Evangelho hoje significa também estar ao lado das vítimas da guerra, dos migrantes, dos pobres, dos doentes e de todos os que carregam feridas sociais e espirituais. A viagem à África, portanto, consolida o pontificado como uma voz firme em defesa da paz, da fraternidade e da dignidade humana.



