Material aprofunda o tema do 60º Dia Mundial das Comunicações e convida a Igreja a preservar o encontro humano na cultura digital

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou um subsídio especial para estudo e aprofundamento do tema do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado neste fim de semana, na Solenidade da Ascensão do Senhor. O material foi preparado pela Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, em parceria com o Grupo de Reflexão em Comunicação, o Grecom, e tem como base a mensagem do Papa Leão XIV: “Preservar vozes e rostos humanos”.
A proposta é ajudar dioceses, paróquias, pastorais, comunicadores e agentes de evangelização a refletirem sobre os desafios da comunicação em um tempo marcado pela inteligência artificial, pelas redes sociais e pela cultura digital. O documento destaca que a tecnologia pode oferecer grandes oportunidades, mas também exige discernimento para que não substitua o encontro humano nem enfraqueça a capacidade crítica das pessoas.
Na mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Leão XIV afirma que o rosto e a voz são traços únicos de cada pessoa e expressam sua identidade irrepetível. A reflexão chama atenção para o risco de uma comunicação cada vez mais artificial, marcada por conteúdos produzidos por máquinas, manipulações digitais, desinformação e perda da dimensão pessoal do diálogo.
Segundo a CNBB, o subsídio é um convite para que a Igreja assuma uma comunicação fundamentada na dignidade humana, na escuta, na verdade e no compromisso com o próximo. O material também alerta para os perigos da inteligência artificial quando usada sem responsabilidade, especialmente na criação de conteúdos enganosos, na reprodução de preconceitos, na invasão de privacidade e na simulação de vozes e rostos humanos.
O tema escolhido pelo Papa Leão XIV reforça que a comunicação não pode ser reduzida apenas à velocidade da informação ou ao alcance das plataformas digitais. Para a Igreja, comunicar é прежде de tudo encontrar, reconhecer o outro e construir relações baseadas na confiança. Por isso, o documento propõe que as ferramentas digitais sejam usadas como apoio à evangelização, sem substituir a presença, a sensibilidade e o testemunho humano.
A reflexão também destaca a necessidade de formação para o uso consciente das novas tecnologias. O Vaticano tem defendido a alfabetização midiática e digital, especialmente entre os jovens, para que as pessoas aprendam a identificar manipulações, enfrentar a desinformação e desenvolver pensamento crítico diante dos conteúdos que circulam nas plataformas digitais.
Para a CNBB, a missão da Igreja na cultura digital passa por anunciar o Evangelho com criatividade, mas também com responsabilidade ética. Isso significa usar os meios digitais para aproximar pessoas, fortalecer comunidades, promover a verdade e defender a vida, sem permitir que a tecnologia apague aquilo que há de mais essencial na comunicação: o rosto, a voz e a história de cada ser humano.
O subsídio está disponível para estudo e pode ser utilizado em encontros pastorais, formações, reuniões de equipes de comunicação, comunidades e grupos ligados à evangelização. A intenção é que o Dia Mundial das Comunicações Sociais seja vivido não apenas como uma data comemorativa, mas como uma oportunidade de reflexão sobre o modo como a Igreja comunica sua fé em um mundo cada vez mais conectado e, ao mesmo tempo, cada vez mais necessitado de relações verdadeiramente humanas.



