Categoria realizou protesto na manhã desta quarta-feira para cobrar segurança; trabalhador sofreu queimaduras no rosto, nos cabelos e em uma das mãos

Rodoviários realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro, na Avenida Agamenon Magalhães, em Olinda. A mobilização aconteceu nas proximidades do Classic Hall e provocou lentidão no trânsito na saída da cidade. A categoria cobra mais segurança após um motorista ser feito refém e sofrer queimaduras durante um ataque criminoso a um ônibus do transporte público.
Durante o ato, coletivos foram paralisados e ocuparam parte da avenida. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pernambuco, o Sintro-PE, como forma de repúdio à violência praticada contra o motorista da linha 825, Jardim Brasil/Joana Bezerra. As informações foram divulgadas pela Folha de Pernambuco.
O crime aconteceu por volta das 4h45 desta quarta-feira, na região da Vila Popular, em Olinda. Segundo o sindicato, homens armados renderam o motorista e obrigaram o trabalhador a conduzir o veículo para outro local. O ônibus foi atingido por vários disparos de arma de fogo e, em seguida, incendiado.
O motorista não conseguiu se afastar a tempo e foi atingido pelas chamas. De acordo com o presidente do Sintro-PE, Roberto Carlos, o trabalhador sofreu queimaduras no rosto, nos cabelos e em uma das mãos. Ele conseguiu escapar do veículo, recebeu atendimento médico e foi encaminhado para uma unidade hospitalar. Até o momento, não foram divulgadas informações atualizadas sobre seu estado de saúde.
Moradores da região tentaram controlar o incêndio utilizando baldes de água. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o coletivo completamente destruído pelas chamas.
Linhas foram paralisadas
Após o ataque, os rodoviários decidiram suspender a circulação de linhas que atendem à região de Jardim Brasil. A paralisação atingiu as linhas 821, 822, 823, 824, 825 e 884.
Segundo o sindicato, os trabalhadores estão com medo de novos ataques e cobram medidas imediatas para garantir a segurança de motoristas, cobradores e passageiros. A entidade afirmou que episódios como esse não podem ser tratados como situações comuns e defendeu uma resposta efetiva das autoridades.
Durante o protesto, o presidente do Sintro-PE ressaltou que a função da entidade é defender os profissionais e cobrar dos órgãos responsáveis ações que ofereçam proteção a quem trabalha diariamente no transporte coletivo. O sindicato também repudiou o uso do motorista como instrumento de criminosos para ameaçar terceiros ou enviar recados.
Polícia investiga o ataque
A Polícia Civil de Pernambuco informou que instaurou um inquérito para investigar o incêndio, os disparos contra o ônibus e as circunstâncias em que o motorista foi mantido sob ameaça. A corporação trabalha para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do crime.
O caso amplia a preocupação com a segurança dos trabalhadores do transporte público na Região Metropolitana do Recife. No fim de agosto, outro motorista foi espancado por um grupo de homens no Terminal de Pau Amarelo, em Paulista, após uma discussão no trânsito. A vítima sofreu traumatismo craniano leve e precisou ser afastada das atividades profissionais.
Representantes dos rodoviários defendem o reforço do policiamento nos terminais, corredores viários e pontos considerados mais vulneráveis. A categoria também pede a criação de medidas permanentes para prevenir agressões e garantir uma resposta mais rápida em situações de violência.
O protesto realizado em Olinda chamou a atenção para a gravidade do ataque e para o medo enfrentado pelos profissionais que trabalham diariamente nas ruas. A mobilização foi encerrada após a cobrança por providências, mas a categoria informou que continuará acompanhando as investigações e a recuperação do motorista.



