Após fim da greve, rodoviários continuam insatisfeitos

Nem mesmo a suspensão da greve dos rodoviários da Região Metropolitana do Recife fez com que os passageiros e profissionais poupassem críticas ao sistema e às negociações feitas entre o sindicato da categoria e o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região.

Nesta quarta-feira (14), a reportagem da Folha de Pernambuco percorreu pelos principais terminais integrados da RMR para verificar, junto aos usuários e trabalhadores, a movimentação e opinião sobre as pautas sugeridas pelo TRT-6.

No TI Joana Bezerra, centro da capital, as filas continuam grandes. O local é atendido por 11 linhas de ônibus. A de maior demanda é a TI Joana Bezerra/Boa Viagem. Mesmo com o intervalo de 5 minutos entre os veículos, a correria para conseguir uma vaga é grande.

O motorista Robson Martins, de 37 anos, da empresa Borborema, expressou à reportagem a rotina estressante dos profissionais que com ele trabalham. Ele não achou suficiente as negociações entre o sindicato e o TRT-6.

“O sindicato ainda não emitiu uma nota sobre isso para nós. Agora, nos resta trabalhar. O reajuste do ticket alimentação [de R$ 366 para R$ 400], por exemplo, não era o que a gente esperava. Foi pedido um reajuste para R$ 720. Sobre o plano de saúde, temos que esperar para janeiro. Seguimos insatisfeitos. É uma rotina estressante, tendo que dirigir e cobrar, ao mesmo tempo, ter atenção nas portas e subir cadeirantes”, detalhou o profissional.

Propostas acertadas na reunião
A audiência de conciliação aconteceu na sede do TRT-6, no bairro do Recife, centro da capital, e durou mais de cinco horas.

O Tribunal intermediou as negociações entre os representantes da categoria e a Urbana-PE, que representa as empresas de ônibus.

Durante as negociações, ficou acertado o aumento de 4,2% no salário, que representa um reajuste acima da inflação de 0,5%. O piso saiu de R$ 3.061 para R$ 3.189,80. 

O ticket alimentação teve um ajuste de R$ 366 para R$ 400 e o bônus por dupla função, no caso do motorista que cobra passagem, será de R$ 180, que vai ser pago como abono salarial.

A estimativa do Sindicato dos Rodoviários é de que 5 mil trabalhadores possam receber essa bonificação. Por se tratar de um sistema complexo para implementação, não foi definida qualquer negociação concreta sobre o fornecimento de plano de saúde para os funcionários. 

As partes chegaram a um consenso de que o Ministério Público do Trabalho vai iniciar a mesa de debate a partir de janeiro do próximo ano. 

Também ficou decidido que a jornada de trabalho será iniciada com o funcionário se conectando no sistema desde o momento em que ele começar o checklist do veículo. A jornada será encerrada quando o motorista se desconectar após a prestação de contas.

O sistema para o controle dos horários dos motoristas vai continuar sendo por GPS. As empresas se resposanbilizaram em disponibilizar o relatório dos últimos 30 dias trabalhados pelos motoristas para checagem.

O que diz o sindicato da categoria?
A reportagem entrou em contato com o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Recife e Região Metropolitana, mas não obteve retorno.

Reportagem: Folha de Pernambuco