
A cidade de Botucatu, no interior de São Paulo, iniciou neste domingo (18) uma campanha de vacinação em massa contra a dengue com a Butantan-DV, primeira vacina 100% nacional e de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan. A ação integra um projeto piloto do Ministério da Saúde, que também acontece em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com o objetivo de medir, na prática, o impacto da vacinação na redução da circulação do vírus.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou o início da mobilização em Botucatu e explicou que a estratégia do governo é acelerar a vacinação nessas cidades para entender o efeito real da cobertura em larga escala. A meta é alcançar rapidamente um patamar entre 40% e 50% de vacinação, o que pode trazer benefícios não apenas individuais, mas também coletivos, reduzindo a transmissão da dengue no município.
Estudo em “vida real” vai monitorar resultados e eventos raros
Diferente de uma campanha tradicional, o projeto foi desenhado como um grande estudo de efetividade, com acompanhamento técnico por pelo menos um ano. Especialistas vão observar a incidência da dengue nas cidades participantes e também monitorar possíveis eventos adversos raros, como já ocorreu em experiências anteriores de vacinação em massa na própria Botucatu durante a pandemia de Covid-19.
A escolha da cidade paulista não foi por acaso: Botucatu tem histórico de participação em pesquisas e estratégias de imunização em larga escala, sendo considerada referência em avaliações de impacto populacional.
Quantas doses serão distribuídas e quem entra na fase inicial
Nesta primeira etapa, o Ministério da Saúde prevê a distribuição de 204,1 mil doses entre os três municípios, com 80 mil destinadas a Botucatu, volume considerado suficiente para imunizar a população-alvo local.
Nos municípios-piloto, a vacina será aplicada em pessoas de 15 a 59 anos, em Unidades Básicas de Saúde e em pontos extras montados pelas prefeituras. A campanha tenta atingir um volume alto de imunização em poucos dias para acelerar os resultados do estudo.
Proteção contra os quatro sorotipos e promessa de alta redução de casos graves
A Butantan-DV é considerada um marco por ser a primeira vacina do mundo em dose única com proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Dados de estudos clínicos apontam eficácia global de 74%, além de redução de 91% nos casos graves e proteção total contra hospitalizações por dengue.
Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, o SUS mantém a aplicação do imunizante de duas doses já usado no país e que passou a ter distribuição ampliada para todos os municípios, conforme disponibilidade.
Expansão nacional vai depender da produção do Butantan
O Ministério da Saúde informou que a vacinação será ampliada conforme a entrega de novos lotes pelo Instituto Butantan. O plano prevê priorizar profissionais da Atenção Primária e avançar de forma gradual até alcançar a população geral, respeitando a capacidade de fabricação e a logística de distribuição.
A expectativa do governo é que a produção cresça significativamente ao longo de 2026, fortalecendo a resposta do país diante do risco de novos surtos, principalmente em períodos de maior circulação do mosquito Aedes aegypti.
Mesmo com queda em 2025, combate ao mosquito continua obrigatório
Apesar da redução no número de casos no ano passado, o Ministério da Saúde reforça que a vacinação não substitui as medidas de prevenção. A principal estratégia segue sendo eliminar água parada e focos do mosquito, além de manter ações de controle vetorial e vigilância.



