Abertura em Pernambuco ocorreu na Quarta-feira de Cinzas, na Concatedral do Espinheiro, e reuniu fiéis e autoridades, como a governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos. Tema deste ano chama atenção para o direito à habitação como base de outros direitos.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB lançou, em Pernambuco, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a Campanha da Fraternidade 2026. A abertura no Recife aconteceu durante a Missa de Cinzas, na Igreja Concatedral do Santíssimo Coração Eucarístico de Jesus, no bairro do Espinheiro, Zona Norte da capital, presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa.
Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a campanha propõe, ao longo da Quaresma, uma mobilização de comunidades, pastorais e movimentos em torno do direito à habitação digna, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade. A proposta liga espiritualidade e compromisso social, reforçando o olhar da Igreja para a realidade de quem vive sem casa, em moradias precárias ou em situação de risco.
Presença de lideranças políticas e agenda social
A celebração no Recife reuniu muitos fiéis e contou com a presença de autoridades políticas, como a governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos, além de outras lideranças do poder público.
Durante a abertura, dom Paulo Jackson destacou que a Campanha da Fraternidade não é uma iniciativa restrita ao ambiente religioso, mas um convite amplo à sociedade. O arcebispo afirmou: “A Campanha da Fraternidade é aberta a todos os homens e mulheres de boa vontade”, reforçando o chamado à conversão quaresmal e ao compromisso concreto com a vida, especialmente por meio de ações que apoiem projetos sociais voltados à habitação.
Coleta da Solidariedade e destinação dos recursos
A Campanha da Fraternidade segue ao longo do período quaresmal e culmina na tradicional Coleta da Solidariedade, quando as doações realizadas nas paróquias ajudam a financiar iniciativas sociais.
As contribuições podem ser feitas em todas as paróquias. Os recursos arrecadados são destinados a projetos selecionados para apoio, com limites de repasse definidos: projetos diocesanos podem receber até 10 mil reais, enquanto projetos nacionais podem receber até 40 mil. A expectativa é que o incentivo fortaleça ações efetivas, com impacto direto para famílias que precisam de apoio para acessar ou manter uma moradia digna.
Um retrato do problema no Brasil
Ao colocar a moradia no centro da reflexão, a Campanha da Fraternidade 2026 aponta para um problema que atinge milhões de brasileiros. A falta de habitação adequada se manifesta de várias formas: famílias sem casa, ocupações, moradias em áreas de risco, ausência de infraestrutura básica e o crescimento da população em situação de rua.
A campanha reforça que moradia não é apenas um teto, mas condição essencial de dignidade e porta de entrada para outros direitos fundamentais, como saúde, segurança e educação. A proposta da CNBB é estimular consciência, mobilização e iniciativas concretas, ampliando a participação da sociedade em soluções que enfrentem a precariedade habitacional.
Contexto local
No Recife, a Missa de Cinzas que marcou a abertura da Campanha da Fraternidade 2026 também se insere no calendário de celebrações e atividades pastorais da Arquidiocese de Olinda e Recife, reforçando a vivência da Quaresma como tempo de conversão, caridade e compromisso com os que mais precisam.


