Em entrevista à Rádio Olinda, a oftalmologista Andrea Sarmento explicou os sinais da catarata, quando a cirurgia pode ser indicada e esclareceu crenças comuns sobre o procedimento e a recuperação.

Esperar a catarata “amadurecer” para só então realizar a cirurgia é uma orientação que ficou no passado. Com a evolução das técnicas cirúrgicas, a decisão sobre o momento adequado para o procedimento considera principalmente o impacto da doença na visão e na qualidade de vida do paciente.
A explicação é da Dra. Andrea Sarmento, oftalmologista especialista em catarata, que participou do programa Olinda Todo Dia, da Rádio Olinda. A entrevista integrou as discussões do Agosto Cinza, período de conscientização sobre a catarata.
A perda de visão pode acontecer aos poucos
A catarata acontece quando o cristalino, lente natural do olho, perde progressivamente sua transparência. Como a mudança pode ser lenta, algumas pessoas acabam se acostumando à piora da visão e demoram a perceber o problema.
Entre os sinais mencionados pela especialista estão visão embaçada, sensação de névoa diante dos olhos e aparecimento de halos ao redor de luzes, especialmente à noite.
Além do envelhecimento, alguns fatores podem favorecer ou acelerar o desenvolvimento da catarata, como diabetes, uso prolongado de corticoides, tabagismo e exposição à radiação ultravioleta sem proteção.
Por isso, alterações na visão não devem ser simplesmente consideradas uma consequência inevitável da idade. A avaliação oftalmológica é necessária para identificar o que está provocando a dificuldade visual.
É preciso esperar a catarata amadurecer?
Segundo Dra. Andrea, não.
A crença surgiu a partir das antigas técnicas utilizadas na cirurgia. Há algumas décadas, era necessário realizar uma incisão maior e retirar o cristalino de maneira diferente, o que fazia com que uma catarata mais endurecida pudesse favorecer aquele tipo de procedimento.
Atualmente, a cirurgia utiliza incisões muito pequenas e equipamentos capazes de remover o cristalino opaco e substituí-lo por uma lente intraocular.
“Não existe o momento correto de operar, existe muito o que está incomodando o paciente”, explicou a especialista.
Isso também não significa que toda catarata diagnosticada precise ser operada imediatamente. A indicação considera os sintomas, o comprometimento das atividades cotidianas e a avaliação realizada pelo oftalmologista.
Como é a cirurgia de catarata?
A oftalmologista explicou que o procedimento atualmente é rápido e, de modo geral, apresenta baixo índice de complicações. A cirurgia costuma durar aproximadamente 15 a 20 minutos.
Durante o procedimento, o cristalino comprometido é removido e uma lente intraocular é colocada em seu lugar.
No pós-operatório, podem ser prescritos colírios antibióticos e anti-inflamatórios. Um dos principais cuidados destacados pela médica é evitar esforço físico, permitindo a cicatrização adequada da pequena incisão realizada no olho.
A especialista também esclareceu alguns mitos comuns. Abrir a geladeira, por exemplo, não faz a lente “embaçar”. As restrições relacionadas a determinadas atividades domésticas estão muito mais associadas aos movimentos e esforços realizados durante essas tarefas do que ao frio ou ao calor.
A visão volta completamente?
Quando a catarata é o único problema ocular, as chances de uma recuperação visual satisfatória são altas. Entretanto, pacientes que apresentam outras doenças, como alterações na retina, glaucoma, complicações relacionadas ao diabetes ou problemas na córnea, podem continuar com limitações visuais mesmo após a retirada da catarata.
Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente.
A principal orientação deixada por Dra. Andrea é manter o acompanhamento oftalmológico, esclarecer as dúvidas com o médico e não esperar uma perda acentuada da visão para procurar atendimento.
Assista à entrevista completa
A oftalmologista Dra. Andrea Sarmento conversou com a Rádio Olinda sobre catarata, cirurgia, recuperação e os principais mitos relacionados à doença.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento realizado por profissional de saúde.



