Catedral da Sé celebra os 27 anos da morte de Dom Helder Camara

Missa presidida por Dom Paulo Jackson encerrou uma programação dedicada à vida, à espiritualidade e ao legado do arcebispo conhecido mundialmente como “Dom da Paz”

Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

A Catedral do Santíssimo Salvador do Mundo, conhecida como Catedral da Sé, em Olinda, recebeu, neste domingo (30), uma missa em memória dos 27 anos da morte de Dom Helder Camara. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson, e marcou o encerramento da programação promovida durante agosto para recordar a vida e a missão do religioso.

Realizada às 9h, a missa reuniu a comunidade arquidiocesana em ação de graças pelo testemunho de Dom Helder e também em oração pelo avanço de sua causa de beatificação. A celebração teve como inspiração uma de suas frases mais conhecidas: “O amor é o perfume das almas”.

A escolha da Catedral da Sé para a homenagem possui um significado especial. Além de ter sido a igreja catedral de Dom Helder durante os 21 anos em que conduziu a Arquidiocese, o templo abriga os seus restos mortais. O religioso morreu no Recife em 27 de agosto de 1999, aos 90 anos.

Um pastor comprometido com os mais pobres

Nascido em Fortaleza, no Ceará, em 7 de fevereiro de 1909, Dom Helder foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1931. Em 1952, foi sagrado bispo e participou diretamente da criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, onde exerceu a função de primeiro secretário-geral.

Dom Helder assumiu a Arquidiocese de Olinda e Recife em abril de 1964, poucos dias após o início do regime militar. Permaneceu à frente da Igreja local até 1985, quando se tornou arcebispo emérito.

Durante esse período, ganhou projeção internacional pela defesa dos direitos humanos, pela denúncia da tortura, pela promoção da não violência e pelo compromisso com as populações mais pobres. Sua atuação incomodou o regime militar e provocou perseguições contra ele e seus colaboradores.

A história de Dom Helder também possui uma ligação profunda com a Rádio Olinda. Segundo o Instituto Dom Helder Camara, durante o período em que o nome do arcebispo foi proibido nos meios de comunicação, sua voz continuou sendo ouvida pela emissora. A Rádio Olinda tornou-se, assim, um importante espaço para a transmissão de suas mensagens de fé, esperança, paz e justiça social.

Conhecido como “Dom da Paz”, “irmão dos pobres” e defensor dos “sem vez e sem voz”, Dom Helder recebeu prêmios e homenagens em diferentes países. Em 2025, passou a integrar oficialmente o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

Programação uniu fé, cultura e formação

As homenagens pelos 27 anos da morte de Dom Helder começaram antes da celebração na Catedral da Sé. Entre os dias 19 e 22 de agosto, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, no Recife, recebeu o espetáculo imersivo gratuito “Dom Helder Camara: luz, fé e memória”.

A experiência utilizou projeções de imagens históricas, animações, iluminação cênica e uma trilha sonora especial para apresentar a trajetória do religioso. A igreja escolhida para o espetáculo também possui forte relação com Dom Helder, que viveu no local durante seus últimos anos.

De 26 a 28 de agosto, a Universidade Católica de Pernambuco realizou a V Semana Dom Helder Camara de Direitos Humanos. Com o tema “Educação, Sustentabilidade e Direitos Humanos: agendas globais e locais para o século XXI”, o evento promoveu debates, atividades acadêmicas e ações de formação inspiradas no legado do arcebispo.

A programação também contou com a exposição “Dom Helder Camara: uma luta por teto, moradia e habitação”, organizada pelo Centro de Documentação do Instituto Dom Helder Camara, além de um minicurso dedicado à atuação do religioso na defesa do direito à moradia. No dia 27 de agosto, uma apresentação musical e uma celebração eucarística no Santuário de Nossa Senhora de Fátima também recordaram a data de sua morte.

Caminho para a beatificação

O processo de beatificação e canonização de Dom Helder Camara foi iniciado em 2015. A fase diocesana já foi concluída, com o levantamento de escritos, cartas, poemas, livros, documentos, fotografias e registros audiovisuais relacionados à sua vida e às suas virtudes.

Todo o material foi encaminhado ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano. Enquanto o processo segue em análise, Dom Helder recebe da Igreja o título de Servo de Deus.

Ao reunir oração, arte, pesquisa acadêmica e compromisso social, a programação realizada em agosto reafirmou a atualidade de sua mensagem. Vinte e sete anos depois de sua morte, Dom Helder continua sendo lembrado como um pastor que transformou a fé em serviço e fez da defesa da dignidade humana uma missão para toda a vida.