Católicos são chamados a combater desinformação e conteúdos manipulados nas Eleições 2026

Dom Valdir de Castro e padre Arnaldo Rodrigues alertam para fake news, uso de inteligência artificial e deepfakes e reforçam a responsabilidade dos cristãos antes de compartilhar informações

Foto: CNBB

A disseminação de notícias falsas e o avanço de conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial estão entre os desafios para o exercício consciente da cidadania nas Eleições de 2026. Diante desse cenário, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reforça a responsabilidade dos católicos no combate à desinformação, especialmente durante o período eleitoral.

O assunto é abordado em um novo episódio da série de podcasts “Discernimento Católico – Eleições 2026”, produzida a partir da mensagem dos bispos ao povo de Deus para o período eleitoral.

Nesta edição, o jornalista Luiz Lopes Júnior conversa com Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, e com o padre Arnaldo Rodrigues, assessor de Comunicação da entidade.

Dom Valdir alerta que as notícias falsas não representam apenas um problema relacionado à comunicação. Para o bispo, a desinformação pode estimular conflitos e polarização, colocando em risco a paz social, o bem comum e a própria democracia.

Por isso, uma das principais orientações aos fiéis é verificar a procedência das informações antes de compartilhá-las. Quando houver dúvida sobre a autenticidade de uma mensagem, a recomendação é interromper sua circulação até que seja possível confirmar se o conteúdo é verdadeiro.

A responsabilidade também deve estar presente no momento da escolha dos candidatos. Segundo Dom Valdir, o eleitor não deve analisar apenas as promessas apresentadas durante a campanha, mas também conhecer a trajetória de quem disputa um cargo público.

Entre os critérios apontados pelo bispo estão o compromisso com a justiça, o cuidado com os pobres, a defesa da casa comum e a promoção da dignidade humana.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DEEPFAKES

Outro ponto de atenção nas eleições deste ano é o avanço da inteligência artificial. Padre Arnaldo Rodrigues explica que um conteúdo produzido com IA não é necessariamente falso ou criado para enganar. O problema está na maneira como a tecnologia é utilizada.

Uma preocupação especial envolve os chamados deepfakes, capazes de produzir representações falsas e convincentes de pessoas. A tecnologia pode, por exemplo, simular o rosto, a voz ou os movimentos de alguém e criar a impressão de que determinada pessoa fez uma declaração ou participou de uma situação que nunca aconteceu.

No contexto eleitoral, esse tipo de manipulação pode ser utilizado para interferir na percepção dos eleitores sobre candidatos e outros participantes do debate público.

Alguns sinais podem ajudar a levantar suspeitas sobre vídeos manipulados, como movimentos estranhos da boca, expressões faciais pouco naturais, diferenças de iluminação e sombras, alterações incomuns na voz e cortes suspeitos.

No entanto, com o aperfeiçoamento dessas tecnologias, identificar uma manipulação apenas olhando ou ouvindo o conteúdo está cada vez mais difícil. Por isso, a principal recomendação é buscar a confirmação em fontes confiáveis antes de acreditar ou compartilhar uma informação.

PAPEL DA COMUNICAÇÃO CATÓLICA

Dom Valdir também destaca a responsabilidade da Pastoral da Comunicação, dos veículos de inspiração católica e dos missionários digitais durante o processo eleitoral.

Segundo o bispo, esses meios devem ampliar a divulgação das orientações oficiais da Igreja, estimular o voto consciente, promover o diálogo e contribuir para combater informações que não correspondam à verdade.

A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” busca aprofundar diferentes aspectos das orientações dos bispos brasileiros para o período eleitoral e contribuir para uma participação política consciente dos católicos.