Colesterol alto pode atingir até pessoas magras e ativas; cardiologista explica os riscos

Condição geralmente não apresenta sintomas e pode aumentar o risco de infarto e AVC. Em entrevista à Rádio Olinda, cardiologista Maurício Macias explica fatores de risco e destaca a importância da prevenção.

Medical Illustrations by Patrick Lynch, generated for multimedia teaching projects by the Yale University School of Medicine, Center for Advanced Instructional Media, 1987-2000.

O colesterol alto costuma ser associado ao excesso de peso, à alimentação inadequada e ao sedentarismo. No entanto, estar dentro do peso considerado adequado e praticar exercícios físicos não significa estar livre do problema. A genética também exerce um papel importante, fazendo com que pessoas aparentemente saudáveis possam apresentar alterações nos níveis de colesterol.

O alerta foi feito pelo cardiologista Dr. Maurício Macias, durante entrevista ao programa Olinda Todo Dia, da Rádio Olinda. A conversa abordou os riscos do colesterol elevado, a diferença entre LDL e HDL e a importância da alimentação, da atividade física e dos exames de rotina na prevenção de doenças cardiovasculares.

Afinal, o que é o colesterol?

Apesar de frequentemente ser tratado como algo prejudicial, o colesterol desempenha funções importantes no organismo. O problema está relacionado, entre outros aspectos, à elevação de determinadas frações e ao consequente aumento do risco cardiovascular.

Durante a entrevista, Dr. Maurício explicou a diferença entre o LDL, popularmente conhecido como “colesterol ruim”, e o HDL, chamado de “colesterol bom”.

De forma didática, o cardiologista comparou o LDL ao processo de depositar “sujeira” nos vasos sanguíneos, enquanto o HDL desempenharia um papel relacionado à retirada dessa gordura. Quando o LDL permanece elevado, aumenta o risco de formação de placas que podem comprometer a circulação sanguínea.

Esse processo está relacionado a complicações graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Colesterol alto pode ser silencioso

Um dos principais perigos é que, na maioria dos casos, o colesterol elevado não provoca sintomas perceptíveis. Dessa forma, uma pessoa pode conviver com a alteração sem saber.

Por isso, Dr. Maurício ressaltou a importância da avaliação médica e dos exames laboratoriais. A ausência de sintomas não significa ausência de risco.

Durante a entrevista, o cardiologista comparou o processo ao funcionamento do motor de um automóvel. Um problema pode não provocar uma falha imediata, mas o acúmulo ao longo dos anos pode resultar em consequências. De maneira semelhante, níveis elevados de LDL mantidos por períodos prolongados podem favorecer a formação de placas nos vasos sanguíneos.

Pessoas magras também podem ter colesterol alto?

Sim. E esse foi um dos principais alertas feitos pelo cardiologista durante a entrevista.

Uma pessoa jovem, magra e fisicamente ativa pode apresentar colesterol elevado, principalmente quando existe predisposição genética. Segundo Dr. Maurício, essa situação pode passar despercebida justamente porque a aparência saudável pode fazer com que a pessoa procure menos acompanhamento médico.

“É importante não apenas olhar o biotipo da pessoa.”

O médico destacou que jovens, adolescentes e adultos aparentemente saudáveis também podem apresentar alterações no colesterol. Por isso, a avaliação da saúde não deve ser baseada somente no peso ou na aparência física.

Genética ou estilo de vida: o que pode favorecer o colesterol alto?

Durante a entrevista, Dr. Maurício dividiu os fatores relacionados ao colesterol em dois grupos: aqueles que podem ser modificados e aqueles sobre os quais a pessoa não tem controle.

Entre os fatores não modificáveis estão principalmente a genética e a idade. Pessoas com histórico familiar de colesterol elevado podem apresentar maior predisposição, inclusive em casos de hipercolesterolemia familiar.

Já entre os fatores modificáveis citados pelo cardiologista estão:

  • alimentação inadequada;
  • sedentarismo;
  • tabagismo;
  • obesidade;
  • diabetes descontrolada;
  • excesso de gordura abdominal.

A presença desses fatores pode contribuir para alterações do colesterol e para o aumento do risco cardiovascular.

Alimentação e atividade física fazem diferença

Mudanças no estilo de vida ocupam papel importante no cuidado com a saúde cardiovascular.

Dr. Maurício destacou uma alimentação baseada em vegetais, frutas, peixes e carnes magras, citando durante a entrevista o padrão alimentar mediterrâneo. Também chamou atenção para o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e de produtos como embutidos.

A atividade física também foi apontada como fundamental. O cardiologista mencionou como referência mínima 150 minutos de exercícios por semana, que podem ser distribuídos ao longo dos dias.

Alimentação equilibrada e prática de exercícios, entretanto, não eliminam fatores como a predisposição genética. É justamente por isso que mesmo pessoas que mantêm hábitos considerados saudáveis precisam estar atentas aos cuidados preventivos.

Prevenção deve começar antes dos sintomas

Ao final da entrevista, Dr. Maurício reforçou a importância da prevenção das doenças cardiovasculares e do acompanhamento da saúde antes que uma complicação apareça.

A avaliação médica e a realização dos exames indicados para cada pessoa podem ajudar a identificar alterações que permaneceriam silenciosas.

“Evitar um problema é a chave, não correr atrás do prejuízo.”

O cuidado merece atenção ainda maior quando há histórico familiar de colesterol elevado, infarto, AVC ou outras doenças cardiovasculares.

Assista à entrevista completa

O cardiologista Dr. Maurício Macias conversou com a Rádio Olinda sobre colesterol alto, fatores de risco e os cuidados que podem contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento individual realizado por profissional de saúde.