Durante missa no Santuário da Mãe Rainha, em Olinda, Dom Paulo Jackson cobra reação dos homens contra o feminicídio

Na celebração da 4ª Romaria do Terço dos Homens do Regional Nordeste 2, arcebispo de Olinda e Recife relacionou o Dia Internacional da Mulher à urgência de enfrentar a violência de gênero e convocou os homens a romperem com a cultura do feminicídio.

Foto: Vinicius Lins/Folha de Pernambuco

No domingo em que a Igreja e a sociedade marcaram o Dia Internacional da Mulher, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, fez um apelo direto aos homens para que assumam responsabilidade no enfrentamento à violência contra as mulheres. A fala aconteceu durante a missa da 4ª Romaria do Terço dos Homens do Regional Nordeste 2, no Santuário da Mãe Rainha de Schoenstatt, em Olinda. Durante a homilia, o arcebispo afirmou que cabe aos homens ajudar a romper a cultura que alimenta os casos de feminicídio.

A celebração reuniu romeiros de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte no santuário, reconhecido como berço do Movimento do Terço dos Homens. A programação teve acolhida dos fiéis desde o início da manhã, procissão, recitação do Santo Terço, missa presidida por dom Paulo Jackson, adoração ao Santíssimo e momentos de reflexão.

A manifestação do arcebispo ganha peso justamente num ambiente fortemente marcado pela espiritualidade masculina católica. Ao falar aos integrantes do Terço dos Homens, dom Paulo Jackson deslocou o debate sobre feminicídio do campo apenas institucional e policial para a dimensão da consciência, da conversão e da responsabilidade pessoal.

O gesto também dialoga com a missão pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife, que tem insistido na defesa da dignidade humana e no compromisso cristão com a vida. A mensagem reforça que a fé precisa se traduzir em atitudes concretas na vida social e familiar.

O Santuário da Mãe Rainha, onde ocorreu a celebração, tem papel histórico nesse movimento. O templo, em Olinda, é considerado o “Santuário Berço do Terço dos Homens”, referência para grupos que se reúnem semanalmente para a oração do rosário e para ações de evangelização nas comunidades.

O apelo feito por dom Paulo Jackson ocorre num contexto em que a violência contra a mulher segue sendo um problema grave no país. Dados de segurança pública apontam que o feminicídio continua sendo um dos crimes que mais preocupam autoridades e organizações da sociedade civil, reforçando a necessidade de ações permanentes de prevenção e conscientização.

Ao aproveitar a celebração do Terço dos Homens para tratar do assunto, o arcebispo deu ao momento religioso um alcance social claro. A mensagem foi de que a fé não pode estar separada da defesa da vida e da dignidade das mulheres. Mais do que condenar o crime depois que ele acontece, a cobrança de dom Paulo Jackson aponta para uma mudança de postura dentro das famílias, das comunidades e das relações cotidianas, começando pelos próprios homens.