Cerimônia anunciada pela Santa Sé acontecerá em 24 de setembro de 2026, em St. Louis, no Missouri, e marcará um novo capítulo no reconhecimento da vida e da missão evangelizadora do arcebispo norte-americano

A Santa Sé anunciou que o venerável arcebispo Fulton J. Sheen será beatificado no dia 24 de setembro de 2026, em St. Louis, no estado do Missouri, nos Estados Unidos. A celebração será realizada no The Dome at America’s Center, um grande espaço coberto escolhido para receber o elevado número de peregrinos esperado para a ocasião. A missa contará com a presidência do cardeal Luis Antonio Tagle, designado como representante papal no rito.
O anúncio foi recebido como um marco para a Igreja Católica, especialmente nos Estados Unidos, onde Sheen se tornou uma das vozes mais influentes da evangelização no século 20. Ao confirmar a data e o local da cerimônia, a Fundação Fulton Sheen e a Diocese de Peoria destacaram que a beatificação será um momento de grande graça para a Igreja, em especial para a diocese onde o arcebispo nasceu, foi ordenado sacerdote e iniciou o ministério.
A escolha de St. Louis, e não Peoria, ocorreu por motivos logísticos. O local foi definido pela disponibilidade, pelo fato de ser um espaço fechado e pela proximidade com a Diocese de Peoria, no Illinois, que conduz a causa de canonização. A expectativa é de que a celebração reúna fiéis vindos de várias partes do país.
Fulton Sheen é lembrado como um dos maiores comunicadores católicos da história contemporânea. Sua pregação alcançou milhões de pessoas por meio do rádio, da televisão, dos livros e de conferências. Entre 1930 e 1950, apresentou na NBC o programa radiofônico The Catholic Hour. Depois, ganhou projeção nacional e internacional com o programa televisivo Life is Worth Living, que alcançou cerca de 30 milhões de telespectadores por semana, foi exibido em centenas de emissoras e lhe rendeu um prêmio Emmy de personalidade de televisão. Também foi capa da revista Time e se tornou uma das figuras católicas mais conhecidas do seu tempo.
Além da atuação na comunicação, Sheen teve forte presença missionária e acadêmica. Foi professor da Catholic University of America, participou do Concílio Vaticano II, exerceu a função de diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias nos Estados Unidos entre 1950 e 1966 e, mais tarde, foi nomeado bispo de Rochester. Sua atuação ajudou a despertar em inúmeros católicos um profundo amor pela missão da Igreja.
O processo de canonização de Fulton Sheen começou em 2002, na fase diocesana. Em 2008, a causa entrou oficialmente na etapa romana. Em 2012, o Papa Bento XVI reconheceu suas virtudes heroicas, concedendo a ele o título de venerável. Já em 2019, o Papa Francisco autorizou o decreto referente ao milagre atribuído à sua intercessão, passo indispensável para a beatificação.
O milagre reconhecido envolve a recuperação inexplicável de um bebê nascido sem sinais de vida em 2010, no estado de Illinois. A criança permaneceu longos minutos sem batimentos cardíacos aparentes, enquanto familiares e amigos rezavam pedindo a intercessão de Fulton Sheen. O menino sobreviveu e se desenvolveu com saúde, fato considerado sem explicação médica natural no processo canônico.
A caminhada rumo à beatificação, porém, não foi linear. Embora a celebração já tivesse sido marcada para 2019, ela foi adiada pouco antes de acontecer. O processo permaneceu suspenso por anos, até que a Santa Sé voltou a autorizar o avanço da causa em 2026, permitindo a retomada dos preparativos.
Na prática, a beatificação reconhece oficialmente que Fulton Sheen viveu de maneira exemplar a fé cristã e abre caminho para a veneração pública em âmbito local ou regional. Para a canonização, ainda será necessário o reconhecimento de um segundo milagre ocorrido após a beatificação.
Mais do que um ato formal do processo dos santos, a beatificação de Fulton Sheen representa o reconhecimento de um legado que continua atual. Em uma época marcada pela força dos meios de comunicação, ele foi pioneiro em levar a mensagem cristã para além dos templos, falando com linguagem acessível, presença marcante e fidelidade à doutrina católica. A cerimônia deve reunir não apenas devotos do futuro beato, mas também muitos que veem em sua trajetória um modelo de evangelização para o tempo presente.



