Igreja recordará mais de 1.600 mártires do século XXI em celebração ecumênica no Ano Santo

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Mais de 1.600 mártires e testemunhas da fé do século XXI foram reconhecidos pela Comissão instituída em 2023 pelo Papa Francisco no Dicastério das Causas dos Santos. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (8), em coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé, que também apresentou a celebração ecumênica presidida pelo Papa Leão XIV no próximo domingo (14), Festa da Exaltação da Santa Cruz, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

Segundo Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e vice-presidente da Comissão, o levantamento reúne relatos de cristãos de diferentes partes do mundo, mortos por causa da fé. Do total, 304 são das Américas, 43 da Europa, 110 missionários mortos em outros países, 277 no Oriente Médio e Magrebe, 357 na Ásia e Oceania e 643 na África, onde os cristãos mais sofrem perseguição.

Esses testemunhos revelam realidades marcadas por perseguição religiosa, violência de grupos criminosos, exploração de recursos, terrorismo e conflitos étnicos. “Infelizmente, os cristãos continuam morrendo porque são testemunhas do Evangelho, porque incomodam quem promove agendas criminosas”, afirmou Riccardi.

A única celebração ecumênica do Jubileu

A cerimônia será a única celebração ecumênica do Ano Santo em Roma. Estarão presentes 24 delegados de diferentes igrejas cristãs e comunidades eclesiais, em uma Liturgia da Palavra que destacará o chamado “ecumenismo do sangue”, expressão usada por São João Paulo II para recordar que o martírio une os cristãos além das diferenças.

O Papa Leão XIV espera que o testemunho dos mártires seja “semente de paz, reconciliação e fraternidade”. O tema central da liturgia será o Evangelho das Bem-Aventuranças, proclamado junto a leituras do Livro da Sabedoria, do Salmo 120 e de uma carta de São Paulo a Timóteo. Após cada bem-aventurança, serão feitas orações e recordadas histórias de mártires, como a irmã Leonella Sgorbati, morta na Somália em 2006, e cristãos evangélicos assassinados em Burkina Faso em 2019.

Continuidade histórica

A Comissão segue os passos de um trabalho iniciado por São João Paulo II para o Jubileu do ano 2000, quando foram reunidos testemunhos de mártires do século XX. Esses relatos estão preservados no memorial dos Novos Mártires, na Igreja de São Bartolomeu, em Roma.

Um sinal de esperança

Para os membros da Comissão, os mártires do século XXI são um sinal de esperança no Ano Santo. Dom Fabio Fabene, secretário do Dicastério das Causas dos Santos, afirmou que esses cristãos “ancoraram a esperança em Deus, não nas circunstâncias do mundo”. Já monsenhor Marco Gnavi lembrou que eles viveram a esperança mesmo em contextos de violência, perseguição e humilhação.

A esperança cristã não é otimismo, mas nasce da fidelidade de Deus e da memória de homens e mulheres que creram até o fim”, concluiu Riccardi.