Justiça de Pernambuco absolve padre Airton Freire de acusação de estupro e revoga prisão preventiva

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A Justiça de Pernambuco absolveu o padre Airton Freire da acusação de estupro em uma decisão proferida pela Vara Única de Buíque, no Agreste do Estado. Segundo a defesa do religioso, a sentença considerou provas periciais reunidas durante a instrução do processo e concluiu que não houve comprovação suficiente para sustentar a acusação. O caso tramita em segredo de Justiça, e o Tribunal de Justiça de Pernambuco informou que não se pronunciaria sobre o resultado justamente por causa do sigilo.

Com a sentença, também foi revogada a prisão preventiva do padre, que estava em prisão domiciliar desde 2023. A decisão ainda absolveu Jailson Leonardo da Silva, apontado na investigação como participante do suposto crime. De acordo com a defesa, o juiz entendeu que os elementos técnicos produzidos pela perícia contradisseram a versão apresentada pela denunciante, o que impediu um juízo condenatório.

O caso teve grande repercussão em Pernambuco desde 2023, por envolver o fundador da Fundação Terra, obra social e religiosa sediada em Arcoverde. A acusação central foi apresentada pela personal stylist Sílvia Tavares, que afirmou ter sido vítima de violência sexual nas dependências da instituição. Segundo o relato levado às autoridades, o episódio teria ocorrido em 2022, durante um contexto ligado aos retiros espirituais frequentados por ela. A denúncia foi registrada originalmente na Delegacia da Mulher do Recife, em outubro de 2022, mas o caso ganhou dimensão pública em maio de 2023, quando veio a público em entrevista.

Na época, as investigações levaram à prisão preventiva de Airton Freire em julho de 2023. Meses depois, em agosto daquele ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco concedeu ao religioso o direito de cumprir prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, medida que permaneceu até a nova sentença anunciada agora.

O processo seguiu em tramitação sob segredo de Justiça e chegou à fase de audiência de instrução e julgamento em janeiro de 2025, em Buíque, município apontado como local relacionado ao inquérito. Naquele momento, a Justiça passou a colher depoimentos e examinar as provas reunidas no caso. A defesa sustentava a inocência do padre e dizia esperar que isso fosse demonstrado ao longo da instrução.

Além desta acusação específica, o nome do padre Airton também apareceu, ao longo da investigação, em outros relatos de supostos crimes sexuais divulgados publicamente desde 2023. Ainda assim, a absolvição anunciada agora se refere à ação sobre a acusação de estupro que resultou na decisão da Vara Única de Buíque.

A defesa afirmou que a sentença foi resultado de uma análise minuciosa das provas e destacou que os laudos periciais tiveram peso decisivo para afastar a acusação. Como o processo está sob sigilo, os detalhes integrais da decisão judicial não foram divulgados publicamente.