Presidente relacionou regras da Igreja Católica à redução do número de fiéis no Brasil; manifestação provocou críticas e debates nas redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter sugerido ao papa Francisco o fim do celibato sacerdotal e a possibilidade de mulheres serem ordenadas para funções atualmente reservadas aos homens na Igreja Católica. A declaração foi feita na quarta-feira (16), durante um encontro com lideranças evangélicas brasileiras e estrangeiras no Palácio do Planalto, em Brasília.
Ao comparar o crescimento das igrejas evangélicas com a redução proporcional do número de católicos no país, Lula disse acreditar que a disciplina do celibato e a participação das mulheres na estrutura da Igreja Católica estariam entre os fatores relacionados a esse cenário.
“Eu já tive a oportunidade de falar para o papa Francisco: enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispos, as mulheres poderem falar, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades”, declarou o presidente.
Lula também afirmou que as mulheres encontram maior espaço nas comunidades evangélicas e atribuiu a essa participação parte do crescimento registrado por essas igrejas no Brasil.
A declaração ganhou repercussão em veículos de comunicação e nas redes sociais. Entre católicos, houve críticas principalmente pelo fato de o presidente ter abordado questões relacionadas à organização interna, à doutrina e à disciplina da Igreja durante um encontro com representantes de outra tradição religiosa.
Parte das manifestações também contestou a relação apresentada por Lula entre o celibato sacerdotal e a diminuição proporcional da população católica. Os dados do Censo Demográfico mostram a mudança no perfil religioso do país, mas não estabelecem que ela tenha sido provocada especificamente pelas normas mencionadas pelo presidente.
Segundo o Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,7% da população brasileira com 10 anos ou mais se declarou católica. Em 2010, esse percentual era de 65,1%. No mesmo período, a presença dos evangélicos passou de 21,6% para 26,9%.
Na Igreja Católica, o celibato sacerdotal é uma disciplina adotada para os padres de rito latino e compreendida como uma forma de dedicação integral a Deus e ao serviço da comunidade. O papa Francisco, citado por Lula, manifestou-se durante o pontificado em defesa dessa tradição, embora tenha reconhecido que o tema poderia ser discutido em situações específicas.
Durante o encontro no Palácio do Planalto, Lula também afirmou considerar a religião “uma coisa sagrada” e disse respeitar a liberdade de cada pessoa para professar sua fé. O presidente declarou ainda que não realiza comícios dentro de igrejas por entender que os templos devem ser preservados como espaços religiosos.



