
O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), é uma data marcada pela saudade, pela oração e pelas lembranças de familiares e amigos que já faleceram. O momento também convida à reflexão sobre como lidar com a perda de pessoas queridas e encontrar forças para seguir em frente.
Para falar sobre o assunto, a Rádio Olinda recebeu o psicólogo Rafael Bezerra, responsável técnico da Clínica-Escola da Uninassau Caxangá. Durante a entrevista, o profissional explicou que o luto é uma experiência humana e um processo de reorganização emocional diante da ausência de alguém significativo.
Segundo o psicólogo, cada pessoa vivencia esse momento de maneira diferente. Entre as reações mais comuns estão tristeza, saudade, raiva, dificuldades de concentração, alterações no sono e mudanças nos hábitos alimentares. Em alguns casos, a perda também pode provocar manifestações físicas. Rafael ressaltou que chorar e falar sobre quem partiu são atitudes legítimas e não devem ser encaradas como sinais de fraqueza. Para ele, existe uma construção cultural de que as pessoas precisam demonstrar força durante momentos difíceis, mas é importante respeitar os próprios sentimentos e compreender que cada indivíduo tem seu tempo para lidar com a dor.
A fé como fonte de esperança
Para os cristãos, a fé na ressurreição pode representar uma importante fonte de conforto durante o processo de luto. Na avaliação do psicólogo, a espiritualidade, a oração e a participação nas celebrações religiosas podem ajudar a enfrentar a saudade e encontrar forças para continuar a vida.
O profissional destacou ainda que recordar os momentos vividos com quem partiu pode contribuir para ressignificar a perda. A saudade, nesse sentido, também representa o reconhecimento dos vínculos e das boas lembranças construídas ao longo da vida.
Quando procurar ajuda profissional?
Embora a tristeza faça parte do processo natural do luto, é importante ficar atento quando o sofrimento começa a comprometer as atividades do dia a dia. De acordo com Rafael , dificuldades persistentes para trabalhar, dormir, conviver com outras pessoas e manter a rotina podem indicar a necessidade de acompanhamento psicológico. O especialista explicou que o luto pode durar dias, meses ou até anos, mas quando a pessoa perde a capacidade de realizar suas atividades cotidianas, é fundamental procurar ajuda profissional. O acompanhamento pode evitar que o sofrimento avance para quadros depressivos.
Rafael também orientou familiares e amigos a oferecerem acolhimento, companhia e escuta, evitando frases prontas como “você precisa ser forte”, “a vida continua” ou “foi melhor assim”. Segundo ele, estar presente, convidar a pessoa para uma missa ou momento de oração e demonstrar apoio pode ser muito mais significativo do que tentar minimizar a dor.
Atendimento psicológico
Durante a entrevista, o psicólogo também apresentou o trabalho desenvolvido pela Clínica-Escola da Uninassau Caxangá, localizada nas proximidades da UPA da Caxangá. O serviço oferece atendimento psicológico para pessoas que precisam de acompanhamento.
Os interessados podem obter informações pelo telefone (81) 99734-2172.
A mensagem principal deixada pelo especialista neste Dia de Finados é que ninguém precisa enfrentar a dor da perda sozinho. Respeitar o próprio tempo, cultivar as boas lembranças, fortalecer a fé e buscar ajuda quando necessário são caminhos importantes para atravessar o luto.
Confira abaixo a entrevista completa.



