
A Polícia Civil de Pernambuco investiga a morte de Jonas da Silva Filho, 25 anos, ocorrida em Lajedo, no Agreste do estado, por possível ligação com os casos recentes de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas. A informação foi confirmada pela prefeitura do município.
Jonas é o quarto homem a entrar na lista de casos investigados. Até agora, as vítimas confirmadas ou sob apuração são:
- Celso da Silva, 43 anos, que deu entrada no Hospital Mestre Vitalino (HMV) em 2 de setembro e morreu no dia 9 do mesmo mês;
- Marcelo dos Santos Calado, 32 anos, cunhado de Celso, internado no HMV em 4 de setembro e que recebeu alta em 23 de setembro, mas ficou com sequela de perda total da visão;
- Um homem de 30 anos, morador de João Alfredo e identificado pelas iniciais R. L., que foi internado em estado grave no dia 26 de setembro e morreu na última terça-feira (30).
Agora, o falecimento de Jonas se soma a essa sequência de ocorrências ainda em análise.
Vítimas estavam juntas em festival
Segundo o delegado Cledinaldo Orico, titular da Delegacia de Lajedo, todas as vítimas conhecidas até o momento consumiram bebidas alcoólicas no mesmo evento.
“Eles estavam juntos, num festival de rock em Lajedo, e fizeram esse consumo. Há uma contradição em relação a quem comprou o whisky. Segundo o sobrevivente [Marcelo dos Santos], uma das vítimas teria adquirido, mas depois modificou a versão”, explicou.
O delegado afirmou que não há marcas específicas sendo apontadas para a possível adulteração. Ele destacou que destilados, especialmente o whisky, são alvos frequentes de falsificação.
“O whisky é muito fácil de ser ‘mascarado’. Geralmente usam iodo para dar aquela coloração [dourada e transparente]”, detalhou.
Orico acrescentou que não há, até o momento, confirmação de ligação entre este caso e possíveis ocorrências em outros estados, como São Paulo. A Polícia Civil coletou material biológico dos corpos para exames toxicológicos e segue apurando a autoria do crime.
Vigilância Sanitária vê risco de fraude nacional
A diretora da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta, informou que o órgão só recebeu a notificação dos primeiros casos suspeitos na tarde da última terça-feira (30). Segundo ela, o episódio já pode ser considerado um “alerta nacional”, com indícios de fraude que podem ultrapassar fronteiras estaduais.
“A fiscalização em comércios varejistas e distribuidoras deve ser feita pelas Vigilâncias Sanitárias dos municípios. Mas estamos padronizando um modelo de inspeção para intensificar as ações em todo o estado, e não apenas onde já há casos suspeitos”, disse.
Baêta também explicou que a morte de Jonas da Silva Filho ainda não consta como caso suspeito no sistema da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), pois ele não foi atendido no Hospital Mestre Vitalino — a unidade que notificou os casos anteriores.
“Somente Marcelo, Celso e a vítima de João Alfredo foram transferidos para o HMV, que fez a comunicação oficial. Sem a notificação da unidade que atendeu Jonas, ele ainda não entra na lista da SES-PE até que a investigação policial seja concluída”, explicou.



