Ao comentar o Evangelho de Mateus, Papa afirma que a glória de Cristo não é espetáculo, mas confidência que fortalece a fé, chama ao silêncio e aponta para a ressurreição.

No Ângelus do segundo domingo da Quaresma, celebrado na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a contemplarem a Transfiguração de Jesus como sinal antecipado da Páscoa. Para o pontífice, a cena do monte revela que a glória de Cristo atravessa a noite da dor e anuncia uma promessa real de salvação e ressurreição para a humanidade.
Ao meditar o trecho do Evangelho segundo Mateus, Leão XIV recordou que Jesus aparece entre Moisés e Elias, indicando que Ele é a manifestação plena e definitiva da Palavra de Deus, situada entre a Lei e a Profecia. Na leitura proposta pelo Papa, tudo o que Deus ordenou e inspirou encontra em Cristo o seu cumprimento e o seu sentido mais profundo.
O Santo Padre também chamou atenção para o modo como Deus se revela. Ele afirmou que a experiência vivida pelos discípulos não se apresenta como show para multidões, mas como uma solene confidência, marcada por uma glória humilde. Para o Papa, é nesse estilo de Deus, discreto e intenso ao mesmo tempo, que a fé amadurece e aprende a reconhecer o verdadeiro rosto do Senhor.
Em um dos trechos mais fortes da catequese, Leão XIV ligou a Transfiguração às feridas do mundo atual. Ele disse que a luz pascal de Cristo alcança os corpos flagelados pela violência, os crucificados pela dor e os abandonados na miséria, transformando as chagas da história em esperança concreta. Segundo o pontífice, a revelação de Jesus é uma surpresa de salvação que ilumina a mente e o coração.
O Papa concluiu com um apelo para que a Quaresma seja vivida como tempo de silêncio, conversão e fé, abrindo espaço para ouvir a Palavra e aprofundar a amizade com Deus. Por fim, pediu a intercessão de Maria para conduzir os passos do povo de Deus na caminhada quaresmal.


