
Após três dias de paralisação total, os metroviários de Pernambuco decidiram suspender a greve e retomar o funcionamento do Metrô do Recife a partir das 5h desta quinta-feira (6). A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite desta quarta (5), no Monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, área central da capital pernambucana.
A suspensão temporária ocorreu após audiência de conciliação mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6). No encontro, ficou definido que a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) terá 30 dias para apresentar ao Governo Federal um plano orçamentário com ações de recuperação do sistema. Durante esse período, os trabalhadores permanecerão em estado de greve, o que significa que a paralisação poderá ser retomada caso não haja avanços concretos nas negociações.
Segundo o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), a categoria apresentou um plano emergencial com dez medidas prioritárias, que incluem a recuperação de trens parados, reforço na segurança operacional, melhoria das condições das estações e revisão de contratos de manutenção. Os trabalhadores também pedem garantias contra o processo de concessão e privatização do sistema, que consideram prejudicial aos usuários e aos servidores.
Durante os três dias de greve, cerca de 170 mil passageiros diários foram afetados pela paralisação. O sistema de ônibus e os aplicativos de transporte registraram superlotação nos horários de pico, especialmente nos terminais integrados da Região Metropolitana.
A CBTU informou que os trens voltarão a circular normalmente nas linhas Centro e Sul a partir da manhã desta quinta, com todas as 36 estações em operação. A empresa disse ainda que mantém diálogo com o sindicato e com o Ministério das Cidades para viabilizar melhorias estruturais e financeiras para o metrô.
Enquanto a circulação é retomada, os metroviários garantem que continuarão vigilantes. “O retorno não significa o fim da mobilização. Queremos compromissos reais com a recuperação do metrô e com a segurança dos usuários”, afirmou o presidente do Sindmetro-PE, Diogo Morais.
Com o impasse parcialmente resolvido, os próximos 30 dias serão decisivos para o futuro do sistema — e para saber se o Metrô do Recife continuará sobre trilhos firmes ou voltará a parar.



