Papa Leão XIV convoca fiéis para uma paz “desarmada e desarmante” na mensagem do Dia Mundial da Paz

Documento para 1º de janeiro destaca a paz como dom do Cristo ressuscitado, critica a escalada armamentista e alerta para o uso militar da tecnologia e da inteligência artificial

O Papa Leão XIV divulgou a mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro, com o tema “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”. No texto, o Pontífice apresenta a paz como um dom do Cristo ressuscitado, capaz de transformar profundamente a vida pessoal, social e política da humanidade.

Na mensagem, o Papa afirma que a verdadeira paz não nasce do medo, da imposição ou da força das armas, mas da conversão do coração e do reconhecimento da dignidade de toda pessoa humana. Segundo ele, a paz cristã é ativa, exige compromisso e se constrói no cotidiano, a partir do diálogo, da justiça e da fraternidade.

Leão XIV faz uma crítica direta à escalada armamentista no mundo, alertando que o aumento dos investimentos em armas e conflitos aprofunda desigualdades, alimenta guerras e afasta os povos de soluções duradouras. Para o Pontífice, a lógica da dissuasão armada não gera segurança real, mas mantém a humanidade presa a ciclos de violência e desconfiança.

Outro ponto de destaque da mensagem é o alerta sobre o uso militar das novas tecnologias. O Papa chama atenção para o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias avançadas e das inteligências artificiais em contextos de guerra, afirmando que essas ferramentas, quando desvinculadas de critérios éticos, podem ampliar a destruição, desumanizar os conflitos e retirar a responsabilidade moral das decisões que afetam vidas humanas.

Diante desse cenário, Leão XIV defende o desarmamento integral como caminho possível e necessário. Segundo ele, esse desarmamento não se limita à redução de arsenais, mas começa pela transformação interior, pela educação para a paz, pela construção de relações baseadas na confiança e pelo fortalecimento das instituições que promovem a justiça e os direitos humanos.

O Papa conclui a mensagem reforçando que a paz “desarmada e desarmante” é aquela que nasce do Evangelho, capaz de tocar os corações, derrubar muros e abrir caminhos de reconciliação entre pessoas, povos e nações. Para ele, o Dia Mundial da Paz é um convite a todos, governantes, instituições e cidadãos, a assumirem a responsabilidade de serem construtores de paz em um mundo marcado por conflitos e divisões.