
Durante a homilia inspirada no trecho do profeta Isaías — “Consolai, consolai o meu povo” — o Papa Leão XIV ressaltou que este convite permanece atual e desafiador. Segundo o Pontífice, a mensagem é um chamado a partilhar a consolação de Deus com aqueles que enfrentam situações de fraqueza, tristeza e dor.
“O anúncio profético da vontade do Senhor de pôr fim ao sofrimento e transformá-lo em alegria ressoa claro para quem vive o luto, a doença, o desespero”, afirmou.
As lágrimas como linguagem da fé
O Papa sublinhou que a Palavra de Deus, encarnada em Cristo, é como o bom samaritano do Evangelho: quem cuida das feridas e nunca abandona. Recordando as lágrimas de Maria Madalena diante do túmulo vazio, ele destacou que muitas vezes “os óculos para ver Jesus são as lágrimas”.
“As lágrimas são um grito mudo, pedem compaixão e consolo, mas também purificam o olhar, o coração e o pensamento. Não devemos ter vergonha de chorar; é expressão da nossa humanidade frágil, mas chamada à alegria”, disse.
A esperança que nasce da comunhão
Ao citar Santo Agostinho, Leão XIV observou que a fé deve prevalecer sobre perguntas que apenas dividem e geram desespero. “Onde existe o mal, aí devemos procurar o conforto que o vence. E na Igreja nunca o fazemos sozinhos”, afirmou.
O Papa destacou ainda que, quando a dor é profunda, mais forte deve ser a esperança, sustentada pelo apoio mútuo e pelo amor partilhado: “Apoiar a cabeça num ombro que consola é um remédio do qual ninguém pode prescindir”.
Dor que não gera violência
Comentando testemunhos ouvidos durante a vigília, o Pontífice reafirmou que “a dor não deve gerar violência” e que o perdão é antecipação do Reino de Deus: “A violência sofrida não pode ser apagada, mas o perdão concedido é fruto da ação de Deus que põe fim ao mal e estabelece a justiça”.
Ele recordou também as vítimas de injustiça e abuso, pedindo que a Igreja aprenda de Maria a proteger com ternura os mais frágeis: “Que possamos reconhecer que a vida não é definida apenas pelo mal sofrido, mas pelo amor de Deus que nunca nos abandona”.
Consolação e compromisso pela paz
O Papa destacou que a consolação recebida de Deus deve se tornar oferta de consolação aos outros. No encerramento da vigília, cada participante recebeu um Agnus Dei, símbolo da vitória do bem sobre o mal.
Por fim, Leão XIV ampliou a reflexão à dor coletiva de povos atingidos pela violência, pela fome e pela guerra. “A verdadeira consolação é mostrar que a paz é possível e deve nascer em cada um de nós”, afirmou, pedindo atenção especial às crianças, “para lhes garantir um futuro que as proteja e console”.
“Temos a certeza de que Deus não deixará faltar corações e mãos que levem ajuda e esperança, agentes da paz capazes de animar aqueles que estão na dor”, concluiu o Papa.








