Papa Leão XIV pede jejum também das palavras e alerta para ofensas nas redes e na política

Mensagem divulgada antes do início da Quaresma reforça que o jejum não deve se limitar à alimentação. Pontífice pede que os fiéis renunciem a palavras ofensivas e cultivem mais caridade e prudência, especialmente no ambiente digital.

Foto: Vatican Media

O Papa Leão XIV pediu que os fiéis vivam a Quaresma com um jejum que vá além do prato. Em uma mensagem divulgada antes do início do tempo quaresmal, o pontífice afirmou que a abstinência também precisa alcançar a língua, com a renúncia a palavras ofensivas e agressivas, tanto nas redes sociais quanto no debate político.

Segundo o Papa, a Quaresma é um tempo de conversão concreta e, por isso, o jejum deve incluir escolhas que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano, como a forma de falar, comentar, responder e reagir. Para ele, abandonar palavras que ferem o próximo é uma prática real de penitência e um sinal visível de mudança interior.

Um jejum que começa na boca e chega ao coração

Na mensagem, Leão XIV destaca que a proposta quaresmal não é apenas reduzir alimentos, mas educar o coração para amar melhor. E isso se reflete diretamente na linguagem. O Papa aponta que palavras podem construir ou destruir, aproximar ou afastar, curar ou abrir feridas.

O pontífice chama atenção para uma abstinência pouco valorizada, mas necessária: deixar de lado insultos, ironias cruéis, rótulos e acusações que desumanizam o outro. Ele sugere que essa renúncia seja tratada como um exercício diário de conversão.

Redes sociais e política sob o olhar da caridade

O alerta do Papa mira especialmente os ambientes onde o conflito costuma ganhar força. Ele cita as redes sociais e o clima político como espaços em que as palavras facilmente se transformam em agressão, desrespeito e hostilidade.

A orientação é por mais responsabilidade e prudência nas relações, com um compromisso concreto de não espalhar ofensas, não alimentar discursos de ódio e não transformar divergência em ataque pessoal. Para o Santo Padre, a caridade cristã também se prova na forma como se discorda.

Um apelo por prudência, responsabilidade e paz

Ao propor o jejum das palavras, o Papa Leão XIV faz um apelo simples e direto: que a Quaresma seja vivida com mais consciência no falar e no agir. A mensagem convida os fiéis a escolherem palavras que edifiquem, a respirarem antes de responder e a tratarem o outro com respeito, inclusive quando não há acordo.

O pontífice reforça que a conversão quaresmal se mede em atitudes concretas. E uma delas é justamente esta: trocar a agressividade pela caridade e o impulso pela prudência, para que a vida digital e as relações públicas sejam mais humanas, justas e pacificadoras.