
Após a oração mariana do Angelus, neste domingo (21), o Papa voltou a se pronunciar sobre a guerra em Gaza. Da janela do apartamento pontifício, saudou os fiéis presentes na Praça de São Pedro, entre eles peregrinos de Cabo Verde, Angola e da cidade do Porto, e fez um apelo direto em favor da paz.
O Pontífice dirigiu-se, em especial, a associações católicas engajadas em ações de solidariedade ao povo palestino:
“Caríssimos, aprecio a vossa iniciativa e as muitas outras, que em toda a Igreja expressam proximidade aos nossos irmãos e irmãs que sofrem naquela martirizada terra. Convosco e com os Pastores das Igrejas na Terra Santa, repito: não há futuro baseado na violência, no exílio forçado, na vingança. Os povos têm necessidade de paz: quem os ama verdadeiramente trabalha pela paz.”
Crise humanitária em Gaza
Mais de 450 mil pessoas já fugiram da Cidade de Gaza. Estima-se que 90% da população da Faixa tenha sido forçada a deixar suas casas em quase dois anos de guerra. Muitos idosos, pessoas com deficiência e famílias em extrema vulnerabilidade permanecem sem conseguir se deslocar.
A situação humanitária é crítica: fome generalizada, destruição de infraestrutura, hospitais em colapso e carência de medicamentos e profissionais. “Estamos caminhando para o desconhecido. Nenhum de nós sabe realmente para onde ir”, relatou Faris Swafiri à agência Associated Press.
Israel anunciou a criação de uma zona humanitária ao sul de Khan Younis, com cerca de 42 km². Mas, segundo os Médicos Sem Fronteiras, a área é insuficiente para abrigar os mais de 2 milhões de deslocados. “É como tentar acomodar uma população superior à de Manhattan, em uma área ainda menor”, alertou Jacob Granger, coordenador de emergência da organização.
Reconhecimento internacional da Palestina
No mesmo dia, Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal reconheceram oficialmente o Estado da Palestina. Atualmente, 151 países já concedem reconhecimento, embora os Estados Unidos tenham vetado a adesão plena da Palestina à ONU em 2024.
O Canadá foi o primeiro país do G7 a dar o passo. O premiê Mark Carney declarou:
“O Canadá reconhece o Estado da Palestina e oferece sua cooperação para construir a promessa de um futuro pacífico tanto para o Estado da Palestina quanto para o Estado de Israel.”
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reforçou o compromisso de seu país com a solução de dois Estados, em publicação no X:
“Hoje, para reavivar a esperança de paz entre palestinos e israelenses e uma solução de dois Estados, o Reino Unido reconhece formalmente o Estado da Palestina.”
Já Portugal fez o anúncio pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, na sede da missão portuguesa na ONU. Ele destacou a importância de uma solução negociada sob a égide das Nações Unidas, com cessar-fogo imediato, libertação de reféns e entrada de ajuda humanitária.
Alzheimer e Ataxia em pauta
Antes de encerrar o encontro dominical, o Papa recordou as pessoas que vivem com Alzheimer e Ataxia. O gesto coincidiu com o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, data que também marca o Setembro Lilás, mês de conscientização no Brasil.
O Alzheimer afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e a data busca aumentar a sensibilização sobre seus sintomas e a importância da prevenção.
O Pontífice também lembrou o Dia Internacional da Conscientização sobre a Ataxia, celebrado em 25 de setembro. A síndrome neurológica compromete o equilíbrio, a fala e os movimentos, podendo ser causada por fatores genéticos, degenerativos, vasculares ou mesmo por intoxicações e efeitos colaterais de medicamentos.



