Pascom Brasil lança segundo episódio da série da Campanha da Fraternidade 2022

Quarta-feira, 09 de fevereiro de 2022, às 10h30| Por Polyanna Vieira

No episódio Escutar, segundo da série especial CF 2022 promovida pela Pascom Brasil, o coordenador-geral Marcus Tullius conversa com a doutoranda em Educação, membro do Grupo de Trabalho sobre o Ensino Religioso da Comissão Episcopal para Cultura e Educação da CNBB e da Pastoral da Educação do Regional Leste 1, Beatriz Leal, e o bispo auxiliar de Belo Horizonte, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB e reitor da PUC Minas, dom Joaquim Mol. Eles ajudam na compreensão dos elementos de interpelação da educação formal no Brasil, os desafios postos pela pandemia de covid-19 e a pedagogia da escuta no processo educativo.

ESCUTAR COM TODOS OS SENTIDOS

A professora Beatriz Leal destaca que o escutar é fundamental no momento que estamos vivendo. “O escutar requer proximidade e é isso o que estamos precisando cada vez mais na educação. Estamos passando neste momento em que tantos alunos tiveram perdas de familiares próximos, perda de contato com os professores e colegas da escola. Então, neste momento, o escutar é fundamental para nós educadores e para a Igreja. Ele traz esta proximidade e nos remete à pedagogia de Jesus, nossso mestre e educador por excelência.”

 

Sobre a mudança das palavras no método indutivo, que aparece no texto-base da Campanha da Fraternidade 2022 como escutar – discernir – agir, dom Mol afirma que este não pode ser um modismo, mas deve ser compreendido na sua profundidade. “Eu acredito que o escutar envolve os outros sentidos. O escutar tem que ser olhando, não podemos dispensar o olhar porque estamos escutando. Há coisas que a gente só escuta com os olhos, tocando, cheirando, saboreando”, destacou.

“Os sentidos elevam o ser humano à condição de ser único na natureza. Essas cinco maneiras completamente integradas de captar a realidade, para devolver ações bem feitas, é algo muito importante. Portanto, o escutar proposto pela Campanha da Fraternidade e também proposto para a Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe, para os Sínodo, para os conselhos pastorais, devem sempre envolver os cinco sentidos.”

É POSSÍVEL RECUPERAR OS PREJUÍZOS DA PANDEMIA

Interrogada sobre a recuperação dos prejuízos da pandemia, Beatriz respondeu esperançosa e convicta de que é possível “com toda certeza”. Mesmo com o aumento das desigualdades nestes dois anos mais intensos da pandemia, há uma lacuna muito grande. A professora, que tem formação em História, ressalta que nós já passamos por outras pandemias em épocas diferentes, mas que é possível recuperar. “A sociedade como um todo já passou por duas grandes guerras. Imagina o impacto das outras pandemias, da primeira e da segunda guerra mundial para a educação? Com certeza, foi muito grande. E essa sociedade precisou ressiginificar e reinventar valores para tentar correr atrás dos prejuízos. Essa Campanha da Fraternidade, assim como o Pacto Educativo Global, vem nos mostrar que é possível, mas não é dever e missão só dos educadores. É de toda a sociedade, principalmente das famílias, que estiveram mais próximas da educação formal neste tempo.”

Dom Mol endossa o entusiasmo da professora Beatriz e relata que isso alenta profundamente o interior. “Nós precisamos reafirmar isso. Fácil não é, mas não é impossível. Eu quero agradecer esta afirmação forte e esta convicção com que esta afirmação é dita.”

FORMAÇÃO INTEGRAL E EDUCAÇÃO HUMANISTA

“Este tema é o acendimento da luz.” É assim que dom Mol começa respondendo sobre a necessidade de uma formação integral e uma educação humanista. Recorrendo ao Papa Francisco, em um discurso sobre educação, afirma que “estamos vivendo uma profunda crise antropológica, porque nossas sociedades são completamente desumanizadoras e porque nós temos uma pobreza de interioridade muito grande”.

“Qual é o estatuto existencial de cada pessoa, ou da condição humana? Refletir sobre isso em uma sociedade que desumaniza e que está cheia de pessoas que estão com uma pobreza de interioridade enorme. […] Negar-se à vacinação não é uma questão ideológica, de polarização, é que pobreza de interioridade. É algo realmente muito delicado, mas aqui é a perspectiva da luz que se acende. Todo educador tem que ser acendedor de luz, deve ser soprador de brasa para que o fogo não se apague.”

 

Para conferir mais sobre esse segundo episódio,  acesse o canal da Pascom no Spotify.