
O primeiro dos seis trens usados adquiridos pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) junto ao sistema metroviário de Belo Horizonte chegou ao Recife e deve começar a operar na Linha Sul dentro de até 30 dias. Antes disso, a composição passará por testes técnicos, adaptação operacional e treinamento das equipes responsáveis pela condução e manutenção.
A compra faz parte de uma medida emergencial adotada pela CBTU para tentar evitar um colapso operacional no Metrô do Recife, previsto para os próximos anos devido ao envelhecimento da frota atual. Segundo estudos técnicos apresentados pela companhia, sem reforço imediato no número de composições, a Linha Sul poderia chegar a 2027 com apenas quatro trens em condições de operação, tornando o sistema inviável.
Cada composição adquirida custou cerca de R$ 10 milhões, incluindo transporte, peças sobressalentes, comissionamento e capacitação das equipes técnicas. O investimento total para aquisição dos seis trens é de aproximadamente R$ 60 milhões.
Os trens vieram do metrô de Belo Horizonte, que está passando por renovação da frota após a concessão do sistema à iniciativa privada. As composições começaram a ser substituídas por novos modelos e, segundo a CBTU, ainda possuem condições adequadas de operação.
A situação do Metrô do Recife preocupa usuários e especialistas. Atualmente, o sistema opera com apenas 17 composições, quase metade da frota disponível em 2015. Além disso, parte dos trens em circulação possui mais de 40 anos de uso, aumentando o risco de falhas mecânicas, atrasos e superlotação.
De acordo com a CBTU, a chegada dos trens de Belo Horizonte permitirá remanejamentos internos da frota e ajudará na manutenção das composições mais novas, que vêm operando acima do limite recomendado devido à escassez de equipamentos disponíveis.
A aquisição, no entanto, também gerou críticas e questionamentos por parte do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco, que cobra mais transparência sobre os valores investidos e a vida útil das composições compradas. O sindicato afirma que os trens têm mais de duas décadas de uso e questiona se o investimento seria a melhor solução para o sistema.



