
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, se posicionou publicamente pela primeira vez a favor da redução da jornada de trabalho no modelo seis por um. A declaração foi dada durante entrevista ao Diario de Pernambuco, no Palácio do Campo das Princesas, nesta segunda-feira (11).
Raquel afirmou ser favorável à proposta por entender que a mudança pode garantir mais tempo de descanso e convivência familiar aos trabalhadores. Segundo a governadora, permitir que uma mãe ou um pai esteja em casa mais um dia é uma medida importante e que dialoga diretamente com a qualidade de vida da população.
Apesar da defesa da redução da jornada, a gestora ponderou que o debate também precisa considerar os impactos econômicos para o setor produtivo. Ela afirmou que as preocupações dos empregadores são legítimas e que é necessário discutir como a mudança será absorvida pelas empresas, especialmente diante do chamado “Custo Brasil”.
A declaração de Raquel ocorre em meio ao avanço da discussão no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados instalou, no fim de abril, uma comissão especial para analisar propostas que tratam do fim da escala 6×1. O colegiado discute textos que reduzem a jornada semanal de trabalho e ampliam o tempo de descanso dos trabalhadores.
Entre as propostas em análise estão a PEC 221 de 2019, do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, que propõe reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais, e a PEC 8 de 2025, da deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, que prevê uma jornada de quatro dias de trabalho por semana, também com limite de 36 horas semanais.
Além das PECs, o Governo Federal enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e impedir redução salarial. A proposta, na prática, busca consolidar o modelo de cinco dias de trabalho para dois dias de descanso.
Atualmente, a escala 6×1 permite seis dias de trabalho para um dia de folga. O modelo é comum em setores como comércio, serviços, bares, restaurantes, supermercados, farmácias e atividades que funcionam todos os dias da semana. Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores, fortalecer a convivência familiar e diminuir afastamentos relacionados ao trabalho.
Por outro lado, representantes do setor produtivo cobram cautela e afirmam que a medida pode elevar custos, exigir novas contratações e pressionar preços, especialmente em segmentos que dependem de funcionamento contínuo. Esse foi um dos pontos destacados por Raquel Lyra ao defender que a redução da jornada seja acompanhada de uma discussão mais ampla sobre produtividade, encargos e condições para contratação.
Para virar lei, as propostas ainda precisam cumprir etapas no Congresso. No caso das PECs, o texto precisa ser aprovado por três quintos dos deputados, em dois turnos, o que representa pelo menos 308 votos na Câmara. Depois, segue para o Senado, onde também precisa passar por dois turnos e obter o apoio de pelo menos 49 senadores.
Raquel Lyra afirmou acreditar que a pauta tem grandes chances de aprovação no Congresso Nacional. A governadora classificou a discussão como uma bandeira importante, mas reforçou que o avanço da medida deve ocorrer com diálogo entre trabalhadores, empresas e poder público.



