
O Recife ganhou, neste domingo (21), a nova sede do Centro de Documentação Dom Helder Câmara (CEDOHC). O espaço, instalado no Edifício Arquiteto Zildo Sena Caldas, ao lado da Igreja das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, abrigará o acervo do arcebispo emérito de Olinda e Recife, reconhecido mundialmente pela defesa dos direitos humanos e da paz.
A cerimônia de inauguração contou com a presença do prefeito João Campos, do vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Victor Marques, do presidente da Fundação de Cultura do Recife, Marcelo Canuto, da secretária de Cultura, Milu Megale, além de outras autoridades e convidados.
“Dom Helder precisa ter a sua história preservada, mantida, sobretudo para ensinar as futuras gerações. Temos o compromisso de enviar um projeto de lei à Câmara para perenizar esse legado, independente de quem esteja na gestão. É um compromisso com a cidade e com uma instituição tão importante, especialmente em tempos desafiadores, para que possamos beber da nossa história e construir sempre um futuro melhor”, destacou o prefeito João Campos.
O acervo reúne mais de 200 mil páginas de manuscritos, 18 mil imagens, livros, vídeos, correspondências e documentos históricos. Desde 2020, esse material estava sob a guarda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), após a antiga sede ter sido invadida e vandalizada. Agora, retorna ao espaço idealizado pelo próprio Dom Helder, com condições adequadas de preservação, pesquisa e acesso público.
A Prefeitura do Recife firmou um convênio que garante repasse anual de R$ 300 mil para manutenção do centro e conservação do acervo. A iniciativa também contou com o apoio de diferentes secretarias municipais, da Defesa Civil por meio do Programa Parceria, e de projetos culturais como o Recife Sagrado e o Música na Igreja.
Durante a inauguração, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson, fez a bênção do espaço e ressaltou a importância da memória:
“O povo que não conhece a sua história, que não tem memória, também não tem presente nem futuro. Esse espaço é para que as futuras gerações possam ter acesso à memória de alguém tão importante. Esse é o papel deste centro: guardar a memória”, disse.
A solenidade foi marcada por uma celebração eucarística em ação de graças pela vida e legado de Dom Helder.
Conhecido como o “Dom da Paz”, ele foi indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz, teve atuação marcante no Concílio Vaticano II e construiu uma trajetória voltada à defesa dos pobres e à luta contra as desigualdades sociais. Sua vida continua a inspirar novas gerações e, recentemente, seu nome foi aprovado pelo Congresso Nacional para ser inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, aguardando sanção presidencial.



