Composições com cerca de 40 anos de uso virão do Sul do país como solução emergencial para evitar paralisação do sistema

Os primeiros trens seminovos que devem reforçar o Metrô do Recife têm previsão de chegar entre o fim de março e o início de abril. As composições virão do Rio Grande do Sul e fazem parte de um acordo emergencial para evitar o agravamento da crise operacional do sistema.
Ao todo, onze trens devem ser transferidos para a capital pernambucana até o mês de julho. Inicialmente, seis unidades serão cedidas pela Trensurb, empresa responsável pelo metrô de Porto Alegre. A medida tenta amenizar os problemas enfrentados pela rede metroviária do Recife, que sofre com frota reduzida, equipamentos envelhecidos e falhas frequentes.
De acordo com o gerente regional de operações da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, José Innocêncio, os veículos têm aproximadamente quarenta anos de uso. Apesar da idade, segundo ele, as composições estão em melhor estado de conservação porque operavam em trajetos menores no Sul do país.
Mesmo assim, uma das principais críticas envolve o conforto dos passageiros. Os trens que serão enviados ao Recife não possuem ar-condicionado. A ventilação será feita apenas por ventiladores instalados nos vagões e por janelas maiores, solução considerada insuficiente por muitos usuários diante do calor característico da região.
Antes de entrarem em operação, os trens ainda precisarão passar por avaliações técnicas, adaptações e treinamento das equipes que irão operá-los. A previsão é que as primeiras composições comecem a circular a partir de junho, caso todas as etapas de testes sejam concluídas dentro do cronograma.
Atualmente, o Metrô do Recife transporta cerca de 138 mil passageiros por dia. O sistema atende municípios da Região Metropolitana e é considerado um dos principais meios de deslocamento para trabalhadores e estudantes.
Nos últimos anos, no entanto, o metrô vem enfrentando uma série de dificuldades operacionais. A frota envelhecida, a falta de manutenção adequada e a redução do número de trens em circulação têm provocado atrasos, superlotação e interrupções frequentes no serviço.
Nesse cenário, a chegada das composições seminovas é vista pelo governo e pela CBTU como uma tentativa de aliviar temporariamente a situação do sistema. Para muitos passageiros, porém, a medida levanta questionamentos: em vez de modernização, o Recife receberá trens antigos e sem ar-condicionado para tentar manter o metrô funcionando.



