Cardeal Pietro Parolin diz que Santa Sé não integrará o órgão por causa da “natureza particular” do grupo; iniciativa já teria apoio de 19 países e prevê investimento de US$ 5 bilhões em Gaza

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou que a Santa Sé não participará do chamado Conselho da Paz, organização criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a proposta de tratar conflitos internacionais. Segundo Parolin, o Vaticano decidiu não integrar o órgão por conta da natureza particular do conselho.
Além da recusa, o cardeal também defendeu a atuação da Organização das Nações Unidas como instância central na mediação de crises, afirmando que cabe à ONU gerir essas situações no cenário internacional. A declaração reforça a posição tradicional da Santa Sé de apoiar mecanismos multilaterais e estruturas já consolidadas de diálogo entre países.
O Conselho da Paz foi lançado oficialmente em janeiro e, de acordo com as informações divulgadas, já conta com o apoio de pelo menos 19 países. Mesmo assim, a adesão não é unânime. Governos como Itália, França e Alemanha teriam rejeitado o convite para participar. Já o Brasil, até o momento, ainda não deu uma resposta oficial.
Ao apresentar o projeto, Trump afirmou que o grupo deve investir cerca de 5 bilhões de dólares em ações de reconstrução e estabilização na Faixa de Gaza. A proposta surge em meio a um contexto de tensões e disputas diplomáticas sobre os caminhos para cessar conflitos e garantir ajuda humanitária e reconstrução em áreas afetadas por guerra.
Com a posição anunciada por Parolin, o Vaticano sinaliza que prefere manter sua atuação diplomática por canais próprios e por meio de fóruns reconhecidos internacionalmente, como a ONU, em vez de participar de uma estrutura criada fora dessas instâncias.


