Apostas online no Ambiente de Trabalho: quando o jogo deixa de ser diversão e começa a afetar a vida profissional?

As apostas online ganharam espaço no cotidiano dos brasileiros e, com elas, também cresceram as preocupações relacionadas à saúde mental. O problema pode ultrapassar as perdas financeiras e chegar ao ambiente de trabalho, afetando a concentração, a produtividade, os relacionamentos e a própria permanência no emprego.

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Para a psicóloga Dra. Fátima Macedo, especialista em saúde mental do trabalhador e CEO da Mental Clean, um dos primeiros sinais de alerta aparece quando o pensamento e o desejo de apostar começam a ocupar o lugar que deveria ser destinado ao trabalho. A pessoa passa a acompanhar constantemente os jogos, perde o controle sobre o impulso e pode começar a pedir dinheiro emprestado, vender benefícios ou acumular dívidas.

O problema, porém, pode permanecer escondido. Mesmo endividado e ansioso, o trabalhador pode continuar cumprindo horários e entregando suas tarefas justamente porque precisa preservar a fonte de renda que mantém o ciclo das apostas. Existe ainda a falsa sensação de controle: “eu paro quando quiser”.

Outro mecanismo perigoso é a tentativa de recuperar o dinheiro perdido com uma nova aposta. A esperança de uma vida melhor, de recuperar prejuízos ou conquistar algo pode alimentar o ciclo. Mesmo quando ganha, a pessoa pode ser estimulada a continuar apostando, reforçando a ideia de que é possível vencer novamente.

Diante disso, as empresas também têm um papel importante. Mais do que esperar que um caso apareça, a orientação é falar abertamente sobre o assunto, promover conscientização e criar espaços seguros para que trabalhadores possam buscar ajuda. Quando uma liderança percebe mudanças no comportamento ou na produtividade, pode abrir uma conversa respeitosa, sem julgamento e sem tentar fazer um diagnóstico.

Para quem já percebeu que perdeu o controle, a autoexclusão das plataformas pode ser um primeiro passo, mas não necessariamente resolve o problema sozinha. Fátima destaca a importância de buscar tratamento estruturado e especializado, identificando gatilhos e desenvolvendo mecanismos de autocontrole.

A mensagem central é que reconhecer o problema não significa fracasso. Pelo contrário: pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo que, quando não enfrentado, pode trazer consequências graves para a vida financeira, profissional, familiar e emocional.

Quer entender melhor como identificar os sinais e como trabalhadores e empresas podem agir? Confira a entrevista completa com Fátima Macedo no YouTube da Rádio Olinda.