Projeto protocolado na Alepe busca reconhecer tradição litúrgica histórica da Igreja Católica no estado

Um projeto apresentado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) pode transformar a missa tridentina em Patrimônio Cultural Imaterial do estado. A proposta foi protocolada pelo deputado estadual Coronel Alberto Feitosa e atende a um pedido da Frente Católica pela Vida, liderada por Victor Borba.
A iniciativa tem como objetivo reconhecer oficialmente a importância histórica, cultural e religiosa da chamada missa tridentina, forma tradicional da liturgia católica celebrada em latim e com raízes que remontam ao Concílio de Trento, no século XVI.
De acordo com a justificativa do projeto, o reconhecimento como patrimônio imaterial busca valorizar a tradição como uma manifestação cultural legítima, preservando práticas que fazem parte da história da fé católica e da identidade de grupos religiosos presentes em Pernambuco.
A missa tridentina, também conhecida como forma extraordinária do rito romano, é marcada por elementos próprios, como o uso do latim, maior silêncio litúrgico e forte simbolismo espiritual. Em Pernambuco, já existem comunidades que mantêm essa tradição, reunindo fiéis regularmente para esse tipo de celebração.
O deputado Coronel Alberto Feitosa, autor da proposta, tem atuação na Alepe e histórico de apresentação de projetos em diferentes áreas. A iniciativa, segundo aliados, também dialoga com pautas voltadas à valorização da cultura religiosa e da liberdade de expressão de fé.
A Frente Católica pela Vida, que articulou o pedido, defende que o reconhecimento oficial da missa tridentina representa não apenas uma valorização religiosa, mas também cultural, por se tratar de uma prática que atravessa séculos e influencia diretamente a formação espiritual e social de muitos fiéis.
Caso seja aprovado, o projeto poderá garantir maior visibilidade à celebração, além de contribuir para a preservação e difusão da tradição no estado. O reconhecimento como patrimônio imaterial também pode abrir espaço para políticas públicas de incentivo, proteção e promoção dessa expressão cultural.
A proposta ainda deverá tramitar nas comissões da Assembleia antes de ser levada à votação em plenário. O tema deve gerar debate, especialmente por envolver aspectos religiosos, culturais e sociais, além de diferentes visões dentro da própria Igreja sobre o uso da liturgia tradicional.
A discussão reacende o debate sobre o papel das manifestações religiosas como parte do patrimônio cultural brasileiro, reconhecendo que práticas de fé também integram a identidade histórica e cultural da sociedade.



